O ministro da Agricultura e Pescas, António Serrano, disse hoje em Bruxelas que a frota de pesca do bacalhau vai voltar a águas do Canadá, ao fim de 11 anos, com uma quota de 1 070 toneladas.
“Ao fim de 11 anos recuperámos as quotas de bacalhau no Canadá”, que se integra no espaço da Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO, na sigla inglesa), disse Serrano, à margem do Conselho de Ministros da Agricultura e Pescas, que se reúne em Bruxelas.
O espaço NAFO abriu as suas águas, em Setembro último, após uma longa moratória para o bacalhau e o peixe-vermelho (redfish).
As quotas atribuídas aos vários países foram calculadas com base nos valores pré-moratória, tendo a UE ficado com 3136 toneladas de bacalhau.
O ministro adiantou ainda esperar Portugal não seja muito prejudicado na atribuição provisória de quotas de pesca pela Comissão Europeia até à conclusão das negociações com a Noruega.
Um bom resultado, diz o ministro, seria “arrancarmos provisoriamente para o início do ano com 1 800, 1 900 toneladas”, quota que vem do espaço NAFO, e a que acresce uma quantidade provisória na Noruega.
“Se houver acordo com a Noruega nós podemos ultrapassar as quatro mil toneladas” de quota de bacalhau, mas só em Janeiro se saberá.
No plano geral, e com as negociações ainda em curso apontam para reduções nas capturas das espécies que mais afectam os pesqueiros portugueses.
O corte proposto por Bruxelas de 25 por cento no tamboril é considerado “inaceitável” pelo ministro.
A Comissão Europeia quer ainda reduzir em 15 por cento as capturas de carapau nas águas dos Açores e da Madeira, com base em critérios científicos.
Serrano contrapõe com um estudo da Universidade dos Açores, que aponta para um bom estado dos stocks da espécie, não prevendo necessidade de reduzir.
“As expectativas, neste momento, são moderadas”, salientou o ministro, que se mostrou satisfeito com o aumento de 15 por cento nas capturas de pescada.
Portugal invocou, em defesa do sector, a situação de crise económica, que vai prolongar-se por 2010.
“Não se deve penalizar o sector com reduções tão bruscas”, disse o ministro, admitindo, no entanto que a pressão para reduzir as capturas em nome da sustentabilidade das espécies é “muito grande”.
Fonte: Agroportal
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