UE «Não Tem Força» para Impedir Entrada de Carne Contaminada com Antibióticos

A inspectora sanitária do Ministério da Agricultura, Eduarda Gomes Neves, afirmou, no VIII Congresso Nacional de Doenças Infecciosas, que a União Europeia «não tem força» para impedir a entrada de carne de animais contaminada com antibióticos.

Em Janeiro deste ano, a União Europeia proibiu totalmente a prescrição de antibióticos para a promoção do crescimento de animais destinados ao consumo humano, mas países terceiros, como o Brasil ou a Argentina, onde não existem esses constrangimentos, continuam a exportar carne com antibióticos para o mercado comunitário.

A também professora no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar explicou que não são realizados «controlos sistemáticos» à carne de países terceiros, que é muitas vezes sujeita a processos de descontaminação que envolvem a lavagem com ácidos fracos, lê-se no Público. E os consumidores não estão informados sobre esta realidade.

A comunidade de especialistas nesta matéria está, contudo, consciente de que está comprovada, há anos, a possibilidade de emergirem estirpes bacterianas resistentes que podem atingir o homem através da contaminação de alimentos da cadeia alimentar ou do contacto directo com animais.

A título de exemplo, Eduarda Gomes Neves lembrou que, em 1994, surgiu a suspeita de que a utilização do antibiótico avoparcina na promoção do crescimento dos animais poderia estar associada ao aparecimento de estirpes de bactérias na carne para consumo humano. Estas bactérias eram resistentes ao antibiótico vancomicina, que é semelhante a medicamentos utilizados em seres humanos.

Em 1997, a União Europeia proibiu a utilização da avoparcina, sucedendo-se, a partir daí, diversas outras proibições que acabaram por culminar na proibição total.

Para a especialista, a solução passa por montar «um esquema, planos de vigilância que permitam controlar se há administrações fraudulentas, como já se faz com os resíduos». De facto, Portugal tem um Plano Nacional de Controlo de Resíduos, datado de 1996. Neste âmbito, recolhe-se material nos matadouros que depois é analisado para verificar se contém substâncias proibidas.

Fonte: Público

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