Os portugueses são dos cidadãos europeus que revelam um maior desconhecimento sobre os riscos para a saúde associados à gripe das aves, revela um estudo divulgado hoje em Bruxelas pela Comissão Europeia.
Confrontados com sete questões elaboradas com vista a “medir” o grau de conhecimento sobre os riscos para a saúde do vírus H5N1, os portugueses inquiridos “acertaram” em média em 54 por cento das respostas, sendo este o segundo pior registo geral entre os 25 países da União Europeia (UE), a par da Grécia, e apenas à frente da Espanha (52 por cento).
Entre as questões colocadas, era perguntado aos cidadãos se sabiam, por exemplo, que o vírus não pode ser facilmente transmitido entre humanos, mas que os humanos podem ser infectados se entrarem em contacto com aves contaminadas, e que mesmo quando contaminadas, as aves domésticas não apresentam risco se forem bem cozinhadas.
A média de respostas correctas registada em Portugal fica bem aquém da média comunitária (66 por cento), observando o documento que o grau de conhecimento parece ser mais elevado nos países afectados pelo vírus, em particular França (79 por cento), Alemanha (74), Dinamarca e Polónia (73).
Até ao momento, o vírus foi detectado em aves selvagens em 13 Estados-membros da União Europeia, cinco dos quais registaram também casos de infecção em aves domésticas, não tendo sido detectado qualquer caso em Portugal.
Além de visar determinar o grau de conhecimento dos cidadãos europeus relativamente aos riscos ligados à doença, este “Eurobarómetro” sobre gripe das aves, encomendado pela direcção-geral de Saúde e Defesa do Consumidor da Comissão Europeia e realizado entre Março e Abril, teve também como objectivo avaliar o conhecimento dos cidadãos sobre as políticas levadas a cabo para evitar a propagação do vírus, assim como compreender as mudanças de comportamento dos consumidores.
Relativamente ao conhecimento sobre a legislação comunitária, estruturas institucionais e medidas gerais adoptadas pela União Europeia para combater o vírus, os portugueses apresentam uma média de respostas correctas semelhante, de 56 por cento, mas neste caso ficam perto da média comunitária (58 por cento), e à frente de outros seis Estados-membros, voltando os espanhóis a revelar-se os menos informados (47 por cento).
Já quando questionados em concreto sobre medidas já aplicadas na União Europeia, tais como a criação de um perímetro de segurança de três quilómetros, e um segundo de dez, em torno das áreas contaminadas, e a proibição de importação de aves dos países onde tenha sido detectada a presença do vírus, os portugueses mostram-se de uma forma geral bem informados (média de respostas correctas na ordem dos 81 por cento), mesmo acima da média comunitária (77 por cento).
No capítulo sobre a informação que lhes é prestada sobre a gripe das aves, dois em cada três portugueses (67 por cento) dizem confiar nas informações veiculadas pelos órgãos de comunicação social (sendo a média comunitária de confiança nos media de 60 por cento), mas menos de metade (apenas 45 por cento) acreditam que as autoridades comunitárias “dizem tudo o que sabem” sobre o vírus (a média comunitária é de 46 por cento).
Por fim, enquanto consumidores, apenas 18 por cento dos portugueses afirmaram que passaram a comer menos carne de aves domésticas nos últimos seis meses, um resultado exactamente em linha com a média comunitária.
O inquérito foi levado a cabo entre 27 de Março e 01 de Maio de 2006 junto de 24.693 pessoas nos 25 Estados-membros, e ainda nos dois países em vias de adesão (Bulgária e Roménia) e dois países candidatos (Croácia e Turquia).
Fonte: Agroportal
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