UE / Brasil: Número de propriedades aptas a exportar carne bovina pode aumentar nos próximos dias

O número de propriedades brasileiras aptas a exportar carne bovina para a União Europeia pode aumentar nos próximos dias, disse hoje em Brasília o chefe da representação da UE no Brasil, embaixador João Pacheco.

Segundo o diplomata português João Pacheco, a suspensão do embargo hoje anunciada relativamente a 106 propriedades, estender-se-á a outras explorações de gado à medida que as autoridades apresentem os certificados das auditorias efectuadas pelos serviços veterinários brasileiros.

“Tudo vai depender agora do que o governo brasileiro nos enviar. O governo tem que auditar as explorações e enviar-nos uma nova lista. Nós vamos verificar se está bem, vamos publicar a lista e depois inspeccionar”, explicou.

Em Bruxelas, o anúncio do levantamento parcial do embargo foi feito pela porta-voz da Saúde da Comissão Europeia, Nina Papadoulaki.

“Isto significa que carne de bovinos maturada e desossada proveniente dessas explorações será autorizada a entrar na União Europeia”, disse em Bruxelas à Agência Lusa a porta-voz da Saúde da Comissão Europeia, Nina Papadoulaki.

Em Brasília, o chefe da representação da UE acrescentou que a decisão foi tomada depois do Brasil ter enviado há três dias à Comissão Europeia uma lista das 106 propriedades, com os respectivos relatórios das auditorias realizadas pelos fiscais brasileiros.

As auditorias comprovam que as fazendas estão a cumprir todos os requisitos para exportar a carne para a UE.

Uma missão de veterinários da UE que se encontra no Brasil está a fiscalizar agora uma amostragem dessas 106 propriedades que vão poder exportar, já a partir de hoje, carne “in natura” para os europeus.

João Pacheco destacou que “não há qualquer limite quantitativo” de propriedades que podem exportar carne para a União Europeia, desde que cumpram os requisitos exigidos.

O chefe da representação da UE no Brasil frisou ainda que o nível de exigência para os produtores brasileiros é o mesmo que para os argentinos e os uruguaios e inferior ao da Europa.

“Na União Europeia, a rastreabilidade tem de durar 20 anos. No Brasil, 90 dias. Além disso, não há qualquer discriminação entre Brasil, Argentina ou Uruguai. A exigência é a mesma”, assinalou.

João Pacheco adiantou que o argumento dos brasileiros de que os europeus estão a ser proteccionistas “não passa em Bruxelas”. “É uma espécie de desculpa para alguns não fazerem o que têm de fazer”, opinou.

Aquele responsável considerou ainda que não há base para que o caso seja levado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e adiantou que os europeus não vão aliviar as exigências sobre o sistema de rastreabilidade bovina.

A União Europeia é o principal importador de carne bovina brasileira, tendo em 2007 comprado 194 mil toneladas de carne “in natura”.

O embargo hoje levantado representou, segundo as autoridades brasileiras, um prejuízo diário equivalente a 1,9 milhões de euros.

A carne bovina brasileira industrializada, cujas exportações para a Europa atingiram 100 mil toneladas no ano passado, não esteve sob embargo.

Fonte: Agroportal

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