UE / Ambiente: Europa “sob pressão”, Portugal tem de fazer progressos

A Europa está a sofrer as piores alterações climáticas dos últimos 5000 anos, devido às emissões de gases poluentes, e no caso específico de Portugal têm-se registado “progressos pouco animadores”, diz a Agência Europeia de Ambiente (AEA).

O relatório “O Ambiente Europeu – Situação e Perspectivas 2005” da AEA, apresentado hoje em Bruxelas, aponta as alterações climáticas como o principal desafio ambiental que a Europa enfrenta e adverte que se não se agir desde já a factura será “pesada”.

“Nos últimos anos avançámos muito [na melhoria do ambiente] mas temos de avançar muito mais”, referiu Jacqueline McGlade, directora executiva da Agência Europeia de Ambiente.

Relativamente a Portugal, o relatório, que se reporta a dados de 2002 e 2003, indica que, “apesar de um desempenho global relativamente favorável” a nível dos indicadores actuais, se têm registado “progressos pouco animadores, que deverão ser incentivados para evitar a deterioração das condições ambientais”.

“Algumas das áreas onde é necessário prestar especial atenção são as emissões atmosféricas, sobretudo as emissões de precursores de ozono, as quais, tendo em conta a posição meridional do país, poderão ter um impacte substancial na saúde pública e nos ecossistemas”, adverte o documento.

Segundo os resultados apresentados pela AEA, Portugal ainda está muito aquém dos objectivos ambientais a nível de tratamento de resíduos sólidos, sobretudo na compostagem, um processo biológico de reciclagem de matéria orgânica com vista à produção de um fertilizante (sete por cento contra os 26 exigidos para 2005), e na recolha selectiva do lixo (sete por cento contra a meta de 26).

Portugal também deve fazer progressos a nível de uma utilização eficiente da água – sendo a agricultura responsável por 30 por cento do uso pouco eficiente – e na agricultura biológica, onde o investimento é fraco apesar do “enorme potencial” que existe no país, observa o relatório.

Apesar de Portugal ter sido o segundo país da União Europeia que mais reduziu as suas emissões de gases com efeito de estufa (responsáveis pelo aquecimento global), de 2002 para 2003 – apenas ultrapassado pela Lituânia -, a agência estima que não consiga cumprir as reduções impostas para 2010.

A nível da utilização de energias renováveis (conseguidas através de elementos naturais como o vento, o mar ou o sol), Portugal regista um valor de 36 por cento para o uso total de energia, três pontos percentuais abaixo da meta estabelecida para 2010.

Um dos aspectos salientados neste relatório sobre o ambiente na Europa é o aquecimento global, com a AEA a salientar que os quatro anos mais quentes de que há registo foram 1998, 2002, 2003 e 2004.

Segundo o relatório, a temperatura média da Europa subiu 0,95 graus no século XX – um valor 35 por cento superior ao aumento médio global de 0,7 graus -, e só no Verão de 2003 desapareceram 10 por cento dos glaciares alpinos.

“Se não adoptarmos medidas eficazes ao longo das várias décadas, o aquecimento global provocará o desaparecimento dos glaciares e a expansão dos desertos a sul. A população poderá, de facto, vir a concentrar-se no centro do continente”, advertiu a presidente da AEA.

A comissária europeia com a pasta da estratégia da comunicação, Margot Wallstrom – em representação da Comissão, face à ausência do comissário do Ambiente, Stavros Dimas – considerou que este relatório apresenta “três mensagens políticas muito claras”, designadamente que “a política ambiental europeia funciona”, que “as mudanças climáticas estão aí e há que minorá-las”, e ainda que a “UE tem responsabilidades a nível mundial e tem de assumir a liderança”.

O relatório “O Ambiente Europeu – Situação e Perspectivas 2005” é o primeiro que contém uma análise por país dos 25 Estados-membros da UE e ainda da Bulgária, Islândia, Liechtenstein, Noruega, Roménia e Turquia.

A Agência Europeia de Ambiente, criada em 1994, é um organismo que visa contribuir para alcançar melhorias significativas e mensuráveis no ambiente na Europa através do fornecimento de informação aos decisores políticos e ao público em geral.

Fonte: Agroportal

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