UE / Ambiente: Bruxelas acusa agricultura e turismo de agravarem situação de seca

A Comissão Europeia acusa os sectores agrícola e do turismo de agravarem a situação de falta de águas nos países do Sul da Europa, como Portugal, num “relatório preliminar” apresentado hoje aos ministros do Ambiente reunidos no Luxemburgo.

“O Sul da Europa pode sofrer situações de seca mais frequentes e graves devido à diminuição das chuvas e ao aumento da evaporação”, segundo o relatório, que recorda a situação dramática vivida em 2005 em Portugal e Espanha.

O documento conclui que, apesar da água fresca ser um recurso “largamente disponível” na Europa, existem secas periódicas e desequilíbrios estruturais de longo prazo.

Para Bruxelas “há um potencial significativo” para se poupar água, o que levaria a uma diminuição da procura e à redução dos desequilíbrios com um efeito positivo nos problemas de falta de água.

Em 2000 a agricultura gastou 32 por cento da água utilizada, o arrefecimento eléctrico 31 por cento, a indústria 13 por cento e o sector doméstico 24 por cento.

A procura sazonal provocada pelo turismo também é uma “pressão significativa”, particularmente no Sul da Europa, segundo o relatório, que sublinha que cada turista utiliza, em média, o dobro da água dos consumidores locais.

França, Alemanha, Suécia, Itália e Reino Unido são identificados como tendo os maiores recursos hídricos na Europa, com mais de 150 quilómetros cúbicos de água por ano.

Malta, Chipre, Luxemburgo e Dinamarca estão no lado oposto, com dez quilómetros cúbicos anuais.

O relatório aponta que 46 por cento da população da União Europeia vive em países que usam mais de 20 por cento dos seus recursos hídricos (Espanha, Bélgica, Malta, Itália, Reino Unido e Alemanha).

O ministro português do Ambiente, Francisco Nunes Correia, considera que o documento “é um passo importante”, mas que “ficou aquém do que seria desejável”, porque trata as questões da seca “como situações excepcionais”, quando estas são “cada vez menos excepcionais”.

O governante defende que a seca deve ser abordada como “um problema estrutural e enfrentada com medidas estruturais”.

Portugal é um dos Estados-membros que tem defendido uma estratégia europeia de prevenção e protecção contra a seca e a escassez de água para atacar de “forma comum” um problema que afecta vários países comunitários.

Numa nota apresentada aos ministros do Ambiente da União Europeia, em Março, Portugal, Espanha, Bélgica, Grécia, França, Itália, Chipre, Malta e Eslovénia consideravam que deve existir uma “aproximação comum a um problema comum” que começou por afectar os países do Sul, mas que se alargou a outros.

Estes países “pedem à Comissão para agir neste campo” no sentido de desenvolver uma “estratégia europeia de prevenção e protecção contra a seca e reduzir os riscos associados” de forma a responder a estes fenómenos à “escala comunitária”.

Chamando a atenção para os recentes episódios de seca, os nove países alertam para a necessidade de, em conjunto, se minimizarem as consequências económicas, ambientais e sociais, embora tenham consciência da impossibilidade de a evitar totalmente.

“Mas é possível diminuir os riscos provocados para o desenvolvimento humano, economia, através de uma política de gestão integrada”, alegam.

Foram estes nove Estados-membros que pediram à Comissão Europeia para apresentar o relatório hoje divulgado.

Fonte: Agroportal

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