Treze mil mercearias fecharam

Nos últimos dez anos o comércio tradicional independente alimentar perdeu perto de treze mil lojas. Números alarmantes que constam de um estudo a ser divulgado hoje na primeira Convenção do Retalho Tradicional, organizado pela cadeia grossista Makro e a decorrer na Ericeira.

Os dados são uma fonte de preocupação para a Confederação do Comércio de Portugal (CCP), que não vê possibilidade de melhorias nos próximos tempos. “Nos últimos dez anos houve uma quebra da ordem dos 33 por cento neste sector, devido ao aparecimento de grandes superfícies e de espaços de ‘hard discount’”, adiantou ao CM José António Silva. O dirigente da CCP sustentou que a situação deverá agravar-se em breve devido ao recente aumento das licenças para novos espaços que representam uma oferta de mais 20 por cento.

José António Silva considera a situação preocupante não só pela perda de quota de mercado, mas também por o comércio tradicional alimentar representar 55 por cento do emprego no retalho tradicional.

Com esta primeira convenção, na qual se prevê a participação de duas mil pessoas, a cadeia grossista pretende debater a situação do sector que representa 16 por cento do volume de vendas a nível nacional e apontar soluções.

Entre as propostas a apresentar hoje encontram-se uma melhoria nas formas de apresentação, uma maior diversidade de oferta, com a introdução de novos produtos nas lojas, como a venda de pão quente ou de frangos assados em regime de ‘take-away’. A Makro tenciona, ainda, apresentar uma gama de produtos desenvolvidos em conjunto com a Disney Magic especialmente concebidos para este tipo de comércio.

CCP APELA À MODERNIZAÇÃO DOS COMERCIANTES

“As dificuldades com que o sector se debate e que fogem ao seu controlo são muitas, mas ainda assim, os comerciantes precisam de modernizar as suas lojas.” A opinião é de José António Silva, para quem “é fundamental que os comerciantes encontrem formas de oferecer alternativas ao cliente”.

“É essencial que os comerciantes encontrem soluções de associação, de integração e de cooperação que cativem o cliente”, defendeu o dirigente da CCP, que aproveitou para criticar o Governo por se recusar a ouvir as reivindicações do sector.

“O Governo tem-se pautado pela ausência”, afirmou o líder da Confederação, sublinhando que têm faltado apoios e subsídios à modernização.

“A lei em vigor prevê uma taxa que financie um fundo de modernização, fundo este que ainda não está regulamentado”, explicou José António Silva, sustentando que isto “é inaceitável”.

Dentro de um mês, a CCP tenciona apresentar – ao Governo e ao secretário de Estado do Comércio – um conjunto de propostas para o sector.

Fonte: Correio da Manhã

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