Três quartos do orçamento para produtos de grande consumo

Três quartos do valor despendido pelos portugueses nos supermercados são em produtos de grande consumo, onde se insere a alimentação. Os portugueses estão a concentrar os seus gastos na alimentação quando vão aos supermercados. Prova disso é que três quartos do valor despendido em cada compra são em produtos de grande consumo, segundo dados da TNS Worldpanel relativos ao primeiro trimestre deste ano.

O peso da alimentação em relação ao total, em cada ticket, é de 62,5 por cento, enquanto o da drogaria e produtos de higiene é 9,5 por cento. A opção pela alimentação dentro de casa em vez de ir a restaurantes é também evidente, segundo os dados da empresa de estudos de mercado, que tem como base uma amostra de cerca de três mil famílias portuguesas: 61 por cento das categorias de alimentos básicos crescem nos primeiros três meses do ano.

O consumo de carne congelada, por exemplo, disparou 66 por cento, seguido de vários outros alimentos também congelados: o peixe cresceu 21,8 por cento, os vegetais aumentaram 20,8 por cento e as batatas, 18,6 por cento. Já o consumo de fiambre subiu 16,9 por cento e as conservas de legumes, 14,6 por cento, entre muitos outros produtos.

No total, os consumidores portugueses gastaram mais 3,9 por cento nas compras de produtos de grande consumo (em que estão incluídos os artigos alimentares) no primeiro trimestre de 2009, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. No entanto, o número total de artigos que levam para casa não aumentou em relação ao ano passado, o que significa que os consumidores estão a concentrar as suas compras nos bens essenciais.

Portugueses compram mais marcas próprias
A crise está a mudar os hábitos do consumidor português, que, além de comer cada vez mais em casa, em vez de jantar fora, compra cada vez mais produtos de marcas próprias dos supermercados. Prova disso é que as vendas destes artigos aumentam nas várias cadeias, com crescimentos de mais de cinco pontos percentuais em alguns casos e que o peso destes artigos nas vendas dos cinco maiores supermercados de Portugal aumenta constantemente, e há já casos em que representam mais de metade da sua facturação.

É o caso do Minipreço, em que 51,8 por cento das vendas de produtos de grande consumo no primeiro trimestre de 2009 são de artigos de marca própria, segundo dados da TNS Worldpanel, empresa de estudos de mercado. O aumento foi de 4,8 pontos percentuais, quando comparado com 2008.

Os maiores crescimentos de vendas deste tipo de artigos foi registada no grupo Sonae, que têm a maior quota de mercado – 25,9 por cento no final dos primeiros três meses do ano, segundo dados da TNS. No caso dos supermercados Modelo, as marcas próprias representam já 31,1 por cento da sua facturação, um aumento substancial de 6,3 pontos percentuais. No Continente, o crescimento foi também significativo: mais 5,1 pontos percentuais que no ano anterior.

Também o Pingo Doce, da Jerónimo Martins, está a capitalizar com a mudança dos hábitos do consumidor português. Enquanto nos primeiros três meses de 2008 44,9 por cento dos seus produtos vendidos eram de marca própria, este ano a percentagem subiu para 46,3 por cento. O Feira Nova, cadeia de hipermercados que pertence ao mesmo grupo, seguiu também esta tendência, vendo a sua facturação com artigos deste tipo crescer 3,6 pontos percentuais para 32,7 por cento no final de Março deste ano.

No Intermarché, a subida foi apenas ligeira, de 1,2 pontos percentuais, para 21,6 por cento. O que coloca os hipermercados do grupo Os Mosqueteiros no final da lista e abaixo da média de vendas de produtos de marca própria em Portugal, que é actualmente 33 por cento.

Apesar de ser o “campeão” das marcas próprias, que representam 69,3 por cento das suas vendas de produtos de grande consumo, o Lidl está a diminuir a aposta nestes artigos. É uma tendência que ocorre há alguns anos, já que a cadeia alemã tem vindo a introduzir produtos de marca de fabricante nas suas lojas, que no início eram essencialmente compostas por produtos brancos. Assim, as vendas destes artigos caíram 1,8 pontos percentuais.

A outra excepção à tendência de crescimento ocorreu no grupo Auchan, que detém os supermercados Pão de Açúcar e os hipermercados Jumbo, em que as vendas de marcas próprias de produtos de grande consumo caiu ligeiramente, 0,9 pontos percentuais, para 21,6 por cento.

Fonte: Anil

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