Os agricultores transmontanos reagiram hoje com apreensão ao Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) do Ministério da Agricultura, que prevê um investimento de 4,5 mil milhões de euros para apoio à agricultura nos próximos sete anos. A reacção foi manifestada no encontro que as direcções regionais de agricultura de Trás-os-Montes e Alto Douro e de Entre o Douro e Minho promoveram em Vila Real para apresentar o PDR à região Norte do país.
No período 2007-2013 as intervenções para o desenvolvimento rural terão um enquadramento específico, sendo financiadas pelo novo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural, num total de cerca de 4,5 mil milhões de euros a ser distribuídos pelos sectores das florestas, olivicultura, produtos hortícolas, produtos de qualidade e vinho e vinha.
O presidente da Agrupamento de Produtores de Raça Barrosã, Albano Álvares, manifestou-se apreensivo com o PDR, afirmando que ele “vai penalizar” as raças autóctones, uma vez que o apoio actual de 135 euros por cada animal vai baixar para 85 euros. “A concretizar-se esta intenção do Governo, é uma péssima notícia e é, porventura, a machadada final na raça barrosã”, lamentou o responsável.
O Ministério da Agricultura anunciou um apoio de 230 milhões de euros para produção, divulgação e promoção de produtos de qualidade, entre quais se incluem os produtos de Denominação de Origem Protegida (DOP), Indicação Geográfica Protegida (IGP) ou da agricultura biológica.
No entanto, Albano Álvares considera que, por terem “feito um bom trabalho de divulgação e venda” da carne barrosã, os criadores desta raça autóctone vão “ser penalizados”.
Também o dirigente da Confederação Nacional de Agricultura, Armando Carvalho, criticou o PDR por considerar que as medidas propostas não servem para apoiar a agricultura e o mundo rural.
Para este responsável, o plano acentua a discriminação negativa da agricultura familiar e desvaloriza “a real importância de subsectores produtivos como o da pecuária”, que foi excluído das fileiras prioritárias.
Defendeu que deveriam ser atribuídos os apoios públicos, prioritariamente, às explorações familiares, à pequena e média agro-indústria e às infra-estruturas rurais O dirigente criticou ainda o facto do investimento público proposto par a o regadio do Alqueva (535 milhões de euros), que corresponde a 12 por cento do PDR, ir financiar grandes projectos de turismo de luxo (ainda que indirectamente) com verbas que deveriam ser destinadas ao desenvolvimento agro-rural.
A CNA defende que estes tipos de projectos deveriam ser deferidos para o Quadro de Referência Estratégico Nacional, permitindo soltar verbas para a construção de outros regadios importantes, como o do Baixo-Mondego e da Cova da Beira.
A coordenadora do PDR, Rita Horta, salientou que o vinho é considerado uma fileira estratégica para os próximos anos, pelo que, segundo adiantou, vão ser dados apoios mais elevados e promovidos planos estratégicos para o sector.
Salientou que a concentração do sector cooperativo, que representa quase metade da produção de vinho no país, “é uma necessidade”.
É precisamente nesse sentido que vão as quatro adegas do concelho de Alijó, ao negociarem “um processo de fusão” que pretende fazer face à crise do sector cooperativo e do sector vitivinícola em geral.
O director da cooperativa de Alijó, José Ribeiro, referiu que o processo de concentração das adegas de Alijó, Favaios, Pegarinhos e Sanfins do Douro, que está em fase de conclusão de estudos, pretende reduzir custos de produção e criar mais competitividade.
Fonte: Agroportal
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