Cem organizações de mais de 40 países declararam o 8 de Abril como Dia de Oposição aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), protestando contra a decisão da Organização Mundial do Comércio que declarou ilegal a moratória europeia aos transgénicos.
Segundo Gualter Barbas Baptista, do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA), uma das organizações que apoia aquela iniciativa, a decisão preliminar da Organização Mundial do Comércio, anunciada terça-feira à noite, dá razão à queixa apresentada em 2003 pelos EUA, Canadá e Argentina contra as restrições impostas pela União Europeia (UE).
Os queixosos argumentavam que as medidas praticadas pela UE, entre as quais uma moratória (suspensão temporária) sobre importação e cultivo de OGM, que vigorou entre 1998 e 2004, criavam obstáculos ilegítimos aos produtores de alimentos biotecnológicos.
A moratória foi levantada há dois anos, permitindo a introdução de uma variedade de milho geneticamente modificado no mercado, mas os norte-americanos decidiram prosseguir com o caso alegando ser necessário garantir que as futuras decisões relativas aos OGM teriam bases científicas e não políticas.
O painel de responsáveis da OMC que esteve reunido em Genebra (Suíça) considerou, terça-feira à noite, que as interdições impostas por seis dos Estados-membros (Áustria, França, Alemanha, Grécia, Itália e Luxemburgo) violavam as regras do comércio internacional.
Os ambientalistas consideram, no entanto, que esta decisão não provocará uma expansão significativa dos OGM no mercado europeu, dada a oposição da maioria dos cidadãos.
“Um estudo do Eurobarómetro divulgado terça-feira revela que 62 por cento dos inquiridos no espaço comunitário demonstram «preocupação» sobre os riscos de segurança alimentar colocados pelos OGM”, refere o GAIA num comunicado.
Contra o veredicto da OMC, cem organizações internacionais juntaram-se para realizar no dia 08 de Abril vários acontecimentos públicos, pretendendo demonstrar a sua “oposição global e constante aos alimentos e às plantações transgénicas”.
Postos de informação na Internet, uma manifestação em Chicago (cidade onde as indústrias biotecnológicas vão celebrar a sua convenção anual), promoção de Sementes Camponesas em alternativa aos OGM, concertos, projecção de documentários e mercados tradicionais são algumas das iniciativas já anunciadas.
Portugal vai estar representado pela Plataforma Transgénicos Fora do Prato que inclui nove organizações não-governamentais, entre as quais o GAIA, a Quercus, a Confederação Nacional de Agricultores e a Liga para a Protecção da Natureza.
As iniciativas que vão promover ainda não estão decididas, mas Gualter Barbas Baptista adiantou à Lusa que envolverão agricultores e ambientalistas em acções de sensibilização dos consumidores.
Fonte: Agroportal
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