É um cenário confrangedor. A lagoa de Pataias (Alcobaça) secou e milhares de peixes já morreram. Os que ainda sobrevivem num pequeno charco de água lutavam ontem, desesperadamente, contra uma morte anunciada.
O presidente da Junta de Freguesia de Pataias, Valter Ribeiro, tentou transferir alguns para outra lagoa, mas a existência de exemplares predadores tornou inviável a pretensão.
“Seria irresponsável introduzir uma praga noutro lado”, explica Sofia Quaresma, a bióloga da Câmara Municipal de Alcobaça que acompanha o caso.
Por outro lado, os peixes que ainda sobrevivem a este desastre ambiental estão debilitados devido à falta de oxigenação e qualquer operação de salvamento estaria votada ao insucesso, adianta a especialista. E o seu fim será idêntico ao de milhares que já foram transportados para o aterro municipal.
Os moradores não se conformam com a agonia de toneladas de peixes e o desaparecimento de uma das “pérolas da freguesia”.
Mas, de acordo com Sofia Quaresma, este é “um processo natural”, resultante das mudanças provocadas pelo Homem no meio ambiente.
Com a intensificação do uso de fertilizantes, a vegetação aquática foi aumentando e o oxigénio diminuindo. Seguiu-se a construção da rede de saneamento básico e o desvio de grande parte das águas pluviais. A falta de chuva e a evaporação provocada pelas elevadas temperaturas dos últimos meses fizeram o resto. Não se via uma coisa assim há mais de 50 anos.
Agora, a única solução passa por dragar as lamas do fundo da lagoa e esperar por um Inverno rigoroso.
Fonte: Correio da Manhã
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