Tudo indica, com este Verão, que a seca tende a piorar. O panorama agrava-se continuamente, 80% do território continental estão em situação de seca extrema, os restantes 20% em seca severa. O abastecimento de água é garantido por autotanques em 47 municípios, a agricultura sofre, a mortalidade de peixes nas albufeiras preocupa, poderá haver decréscimo da produção de electricidade. Nalguns sítios, paga-se a factura de o Inverno ter sido o mais seco dos últimos 100 anos.
O sétimo relatório quinzenal da seca em Portugal continental, divulgado ontem pela Comissão para a Seca 2005, refere esse agravamento como “esperado, considerando a época do ano”. O índice meteorológico de seca é calculado tendo em conta a precipitação, a temperatura do ar e a quantidade de água disponível no solo, e é previsível que não haja melhorias até ao final de Agosto. Ontem, por exemplo, o calor fez com que a Direcção-Geral da Saúde pusesse em alerta amarelo 11 distritos (Viana do Castelo, Vila Real, Bragança, Viseu, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja e Faro), situação que implica especiais cuidados, em particular com crianças, idosos e doentes crónicos.
Sem nos alongarmos em valores, basta referir, para mostrar o que se passa, duas notas extraídas do relatório “os valores em percentagem de água no solo em relação à capacidade de água utilizável pelas plantas em 15 de Julho eram inferiores em 30% em todo o território continental, valores muito inferiores aos valores médios para esta época do ano”; “na componente hidrológica do acompanhamento da situação de seca, regista-se um comportamento desfavorável em 33 das 35 estações de monitorização”.
Além da evidente secura dos solos, em todas as bacias hidrográficas, com excepção da do Ave, verificam-se armazenamentos abaixo da média. A situação mais gravosa ocorre na bacia do Mondego, onde se notam especialmente os efeitos da utilização intensiva das albufeiras.
Em termos de qualidade da água, a situação apresenta-se estável, no Norte e no Centro, havendo melhorias registadas na região Sul. Porém, há uma clara preocupação com o aumento da biomassa nas albufeiras, que se traduz pela morte de peixes e justifica uma série de intervenções. A falta de água, que obriga a abastecimento de redes por intermédio de autotanques num universo que implica cerca de 26 mil pessoas. As situações mais graves verificam-se no Algarve. Os municípios têm optado por medidas de contenção do consumo, das campanhas de sensibilização aos cortes sistemáticos.
Na agricultura, os principais problemas prendem-se com os cereais, e também a produção de electricidade está em causa, não só nos aproveitamentos hidroeléctricos mas, também, nas centrais termoeléctricas, que necessitam de água no processo produtivo.
Fonte: JN
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