Menos visitas aos supermercados e aos restaurantes e mais racionalização no que se come e no que se bebe. Estas são as principais conclusões das empresas contactadas pelo Diário Económico em relação ao consumo nos primeiros dois meses do ano, já fortemente marcado pelas medidas de austeridade.
As cadeias de distribuição Sonae e Jerónimo Martins (JM) já estão a sentir o impacto desse comportamento dos consumidores, bem como as empresas de bebidas, de queijos ou de iogurtes. Paulo Azevedo, presidente executivo da Sonae, afirmou recentemente ao Diário Económico que se sente uma retracção do consumo, “em particular na área não-alimentar, uma retracção maior do que a do ano passado”. Pedro Soares dos Santos, administrador-delegado da JM, disse que, apesar de “as vendas terem crescido em Janeiro”, sente-se uma “contracção. As pessoas estão a comprar um bocadinho menos”, confirma. Por isso, o mercado português será o desafio que Sonae e JM têm de ganhar este ano.
“Em Portugal, vai ser uma luta continuada para conseguirmos fazer quase o impossível. O ano de 2011 vai, seguramente, ser muito duro, sobretudo em Portugal, mas iremos lutar com mais armas que nos últimos três anos”, garantiu Paulo Azevedo.
Para já, o mercado das bebidas está a cair entre 5% a 10%, dependendo das categorias. Números que se seguem a dois anos consecutivos de quebras de 3% no consumo de cerveja. Por essa razão, Alberto da Ponte, administrador-delegado da Sociedade Central das Cervejas, quer “manter quota de mercado na cerveja”, mas admite “um decréscimo da marca Sagres”. Já a Unicer está “preparada para o pior cenário possível no mercado interno este ano”, avançou o presidente executivo, António Pires de Lima.
As vendas dos queijos Saloio estão a cair 7% no mercado interno, com um comportamento pior na venda a hoteis, restaurantes e cafés, adiantou Clara Moura Guedes, presidente executiva da empresa. Nos iogurtes, a reacção do consumo dos portugueses também já se sente. A Danone Portugal adiantou ao Diário Económico que “as vendas estão como o mercado”: a cair. “As coisas não estão fantásticas e estamos a sentir uma retracção”, afirma Cláudia Martins, directora de qualidade da Danone Portugal.
Fonte: Anil
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