Os suinicultores portugueses manifestaram-se preocupados com a eventual entrada no mercado europeu de carne de porco de países que não respeitam os elevados padrões de qualidade da União Europeia, na sequência das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberalização mundial do comércio.
Nas conclusões do 5.º Congresso Nacional de Suinicultura, que terminou na passada sexta-feira, os produtores apelam ao Governo para que exerça pressão junto da Comissão Europeia no sentido de exigir que todos os países que colocam carne no mercado europeu cumpram as regras comunitárias.
O organizador do evento Joaquim Dias disse que, a confirmarem-se as cedências da União Europeia na OMC, «vamos assistir, em breve, à entrada no mercado europeu de grandes quantidades de carne de porco proveniente de países que não respeitam minimamente os padrões de qualidade em vigor na UE», o que põe em causa a segurança alimentar e a saúde pública.
O responsável considera que a União Europeia está a trocar a segurança dos consumidores europeus por uma «hipotética venda de produtos industriais e alguns serviços a países terceiros, com vantagens e valor económico e social bastante discutíveis», cita o Diário de Leiria.
Por isso, os suinicultores querem que Portugal exija a aplicação das regras do Protocolo de Quioto, que obrigam ao cumprimento de acções indispensáveis ao meio ambiente, tais como o cumprimento de regras de bem-estar animal e de segurança alimentar. Caso contrário, a carne de países terceiros que invadir o mercado europeu pode conduzir à perda total da competitividade dos suinicultores portugueses.
Do congresso concluiu-se também que são necessários apoios à concretização de um Plano de Ordenamento Nacional da Suinicultura, com o objectivo de deslocalizar explorações e encerrar outras; são necessários apoios à adaptação de explorações às novas normas de protecção ambiental e bem-estar animal.
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, esteve no congresso na quinta-feira passada e garantiu que o processo de regulamentação das explorações suinícolas vai ser levado até ao fim.
O congresso defendeu, ainda, uma nova estratégia de desenvolvimento para o sector, advogando a competitividade e a eficiência das empresas.
Em relação às raças autóctones portuguesas, como a alentejana, a bisara ou o malhado de Alcobaça, os suinicultores consideraram que o Estado tem que ser responsabilizado pela defesa, melhoria e conservação destes animais, apostando, sobretudo, em apoios aos criadores e organizações.
Fonte: Confragi
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