«Subsídios americanos a etanol provocam aumento de preços dos alimentos»

A política de subsídios dos Estados Unidos ao etanol à base de milho foi alvo de críticas num artigo publicado pela revista britânica Economist, considerando-a uma das principais culpadas pelo aumento de preços dos alimentos.

Segundo o artigo, os «biocombustíveis» vão corresponder a um terço da colheita de milho nos Estados Unidos, o que vai afectar directamente os mercados mundiais de alimentos, adiantando ainda a revista que « as 30 milhões de toneladas de milho» dirigido este ano para a produção de etanol nos Estados Unidos, representam metade da quebra do stock mundial de grãos.

A “Economist”, cita a BBC, fala da existência de mais de 200 subsídios diferentes ao etanol, americano, assim como uma tarifa de importação por cada galão deste combustível, o que limita a entrada nos Estados Unidos do produto brasileiro.

Estas ajudas, diz o artigo, incentivam os agricultores a produzirem apenas milho e têm implicações globais, tendo em conta que a maioria dos subsídios e barreiras comerciais implicam custos elevados e provocam um acréscimo nos impostos, alimentos de pior qualidade, monoculturas de cultivo intensivo, superprodução e uma prática de preços que prejudica e termina com o modo de vida dos agricultores pobres em mercados emergentes.

O mesmo considera que o aumento do preço dos alimentos representa uma ameaça que atinge especialmente os países pobres, no entanto, salienta a revista, apresenta uma enorme oportunidade para avançar com uma revisão das políticas agrícolas.

Os preços mais baixos dos alimentos criados por políticas agrícolas das últimas décadas levaram a uma diminuição do investimento em agricultura e infra-estruturas e países que «costumavam exportar alimentos agora importam», afirmando o artigo que o corte «de subsídios no Ocidente« pode ajudar a reverter este cenário.

O Banco Mundial calcula que é possível liberalizar o comércio agrícola, os preços de produtos explorados pelos países mais pobres, como o algodão, vão aumentar e as nações em desenvolvimento poderão «obter ganhos com o aumento da exportação», o que, na opinião da “Economist”, aumentaria a produtividade agrícola nos países em desenvolvimento e asseguraria a armazenagem de alimentos.

Fonte: BBC e Confragi

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