Subida dos alimentos terá “consequências terríveis”

Apelo à intervenção nos mercados para travar escalada dos preços

O tema da fome voltou a estar presente nos debates da reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. No fim dos trabalhos, Dominique Strauss-Kahn, director-geral da organização, alertou para as “consequências terríveis” do aumento continuado dos preços dos alimentos e dos combustíveis. O ex-ministro socialista das Finanças chamou a atenção para as consequências da onda altista dos preços em países como o Haiti, o Egipto ou as Filipinas, nos quais já se verificaram graves distúrbios sociais com mortes e grande número de feridos. A Tailândia já anunciou o embargo às tradicionais exportações de arroz para tentar baixar os preços no seu mercado interno. “Centenas de milhares de pessoas morrerão à fome e crianças, sobretudo em África, sofrerão de subnutrição”, com graves consequências para o resto das suas vidas. Além do mais, a escalada de preços, acrescentou Strauss-Kahn, ” levará a desequilíbrios comerciais, que afectam igualmente os países desenvolvidos”.

A ministra alemã para o Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, considerou ser inaceitável que a exportação de agrocombustíveis se tenha tornado uma ameaça ao abastecimento alimentar dos pobres. “O mundo necessita harmonizar os objectivos de mitigar as alterações climáticas, com a segurança alimentar e o desenvolvimento social,” afirmou.

A reunião do FMI concluiu-se com a visão consensual sobre a dimensão e as perspectivas futuras da actual crise financeira, ligada aos sectores da habitação e do crédito hipotecário dos EUA. Os 185 países membros da organização admitem que, desde a anterior reunião do Outono, ” o crescimento económico mundial abrandou e as perspectivas de crescimento para 2008 e 2009 se deterioraram”. Na quarta-feira, o FMI tinha publicado uma previsão, logo considerada excessivamente pessimista pela generalidade das instituições económicas internacionais, na qual o produto mundial passaria de uma expansão próxima dos 5%, em 2007, para os 3,7%, em 2008, e os 3%, em 2009.

O Comité Monetário e Financeiro Internacional (CMFI), em nome da organização, constata que “os desafios que a economia mundial tem de defrontar são de natureza global, exigindo acções determinadas e uma estreita cooperação entre os membros” do FMI. O director-geral defendeu o relançamento da organização que dirige, já que “não há outra que esteja em melhores condições de trabalhar sobre as conexões entre o sector financeiro e a economia real”.

A gravidade da crise actual deve ter contribuído também para que os países membros do FMI tenham desbloqueado a sua reforma interna de representação e direitos de voto, que se arrastava há anos.

Fonte: Diário de Notícias

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