Sócrates apela aos consumidores para comprarem produtos biológicos

O primeiro-ministro, José Sócrates, apelou ontem aos portugueses para adquirirem mais produtos biológicos, elogiando o seu papel na valorização ambiental do território.

“Primeiro, é necessário alargar os mercados” e dar “sinais de confiança aos consumidores”, até porque os produtos biológicos constituem uma “alimentação mais saudável, que contribui mais para a preservação ambiental”, afirmou José Sócrates, que confessou ser um adepto deste tipo de alimentos, depois de ter desempenhado a pasta do Ambiente O primeiro-ministro participou ontem na Companhia das Lezírias com mais oito ministros num almoço com produtos biológicos, organizado pela associação do sector (Interbio) que visa para aumentar o consumo e sensibilizar a população.

Já o ministro da Agricultura, Jaime Silva, anunciou apoios adicionais para “essa outra agricultura, que pode ser competitiva e que é mais amiga do ambiente”.

Nesse sentido, a tutela está a preparar um programa de apoios para 2007 onde existem “medidas específicas para a agricultura biológica” com apoios ao investimento inicial e à produção até aos sete primeiros anos de actividade.

Durante esse período, será dado tempo ao crescimento do mercado e da procura para que as “empresas ganhem sustentabilidade sem apoios”, afirmou o ministro.

Os apoios ao investimento inicial poderão ser mais de 50 por cento a fundo perdido no investimento inicial e depois vão existir subsídios por hectare de produção, explicou Jaime Silva, embora salientando que estes produtos serão sempre mais caros que os convencionais.

“Neste tipo de produto, com mais qualidade, haverá sempre um diferencial de preço”, disse, salientando que após os apoios iniciais, as explorações biológicas são “deixadas no mercado como qualquer outra empresa agrícola”.

Esta decisão visa aumentar a área de produção do país, que se cifra em apenas 250 mil hectares, dos quais cerca de metade não chega certificada ao consumidor.

“O Estado ao apoiar este tipo de agricultura quer que o consumidor quando comprar tenha a certeza que está a comprar agricultura biológica”, explicou o ministro.

Por isso, “o produtor tem de estar certificado” e está “obrigado a vender” para obter apoios da tutela.

O volume de apoios vai depender do número de empresários candidatos a produtores de agricultura biológica mas Jaime Silva defende que as unidades de exploração têm de ser dedicadas a este tipo de produção de modo “Não podemos hoje conceber uma medida de apoio em que um agricultor na sua exploração faça tudo”, quer agricultura convencional quer biológica.

Por seu turno, o vice-presidente da Interbio – que organizou o almoço e representa os produtores de agricultura biológica – saudou os apoios ontem anunciados pelo Governo para 2007 mas garantiu que o sector “não quer ser subsídio-dependente”.

Mais do que os apoios, Alfredo Cunhal Sendim mostrou-se satisfeito com a presença de oito ministros e do primeiro-ministro no almoço, considerando-o um “estímulo” para os consumidores portugueses.

“Queremos uma agricultura de excelência e de rigor” e mais do que apoios “esperamos do Estado exemplos” e “um sinal” da importância do sector para o futuro agrícola do país.

Para o dirigente da Interbio, “é necessário fazer crescer o mercado” até porque “Portugal tem condições intrínsecas” para aumentar a produção biológica.

Actualmente, os produtos biológicos representam menos de 0,01 por cento na maior parte dos produtos agrícolas, uma situação que a Interbio quer inverter através de uma maior aposta na promoção junto dos consumidores.

Fonte: Agroportal

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