Só 40 países têm plano de combate a eventual pandemia

OMS diz que, apesar do alerta 3, “o mundo não está preparado” para pandemia.

Numa altura em que a gripe aviária provocou já mais de 60 mortos na Ásia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem multiplicado os avisos, tendo em conta o perigo de o vírus H5N1 vir a sofrer mutações e originar uma pandemia de gripe, semelhante à que matou mais de 30 milhões de pessoas, em 1918. No entanto, e apesar de este organismo internacional ter colocado o mundo no terceiro dos seis níveis da escala de alerta pandémico, apenas 40 países – entre os quais Portugal – desenvolveram já planos de contingência para lidar com uma epidemia à escala mundial. Uma vez iniciada, a OMS estima que pandemia possa dar a volta ao Globo em apenas seis meses.

Segundo os critérios traçados pela OMS, existem seis níveis de alerta face a uma pandemia. Os dois primeiros pertencem ao chamado período interpandémico, onde ainda não foi detectado nenhum caso de infecção em humanos, com origem num novo subtipo de vírus, em circulação nos animais. O terceiro nível – em que nos encontramos actualmente – é o primeiro do chamado “período de alerta pandémico” esta fase caracteriza-se pelo facto de a infecção provocada pelo novo subtipo ter sido detectada em humanos, mas sem registo de transmissão pessoa-a-pessoa (ou, a existir, em situações raras, ligadas ao contacto próximo entre os humanos e não às características do vírus, como ocorreu na Tailândia, entre mãe e filho). Nesta etapa, a aposta é para a “monitorização do vírus” com vista a prevenir a ocorrência de casos de transmissão entre humanos. O estudo de eventuais vacinas e a garantia de acesso rápido a medicamentos anti-virais são outras das medidas que a OMS recomenda às autoridades nacionais e que Portugal já colocou em marcha (ver caixa ao lado).

Como explicou ao DN Dick Thomson, porta-voz da OMS para a secção de doenças comunicáveis, as condições que levaram à activação do nível 3 “estão em curso há mais de um ano”, “mas é impossível dizer quando vamos mudar de nível de alerta”. Aliás, afirma, consoante o grau de adaptação do vírus a humanos, “até pode acontecer que passemos directamente do nível 3 para o 5”, o último antes de declarada a pandemia de gripe (nível 6).

No entanto, e apesar dos alertas constantes sobre o perigo “real” de uma epidemia de gripe, o responsável não tem dúvidas “Obviamente que o mundo não está preparado. Apenas cerca de 40 planos de contingência foram de-senvolvidos e alguns destes não são sequer extensivos.”

contradições. Questionado pelo DN sobre uma aparente contradição entre a UE e a OMS – uma vez que, na reunião de 25 de Agosto, em Bruxelas, peritos europeus desvalorizaram o risco de a gripe aviária chegar ao Velho Continente -, Dick Thomson afastou a hipótese e esclareceu que a questão debatida entre os 25 Estados-membros dizia respeito à propagação da doença exclusivamente em animais e não em pessoas.

Recusando-se, por isso, a avançar qualquer comentário à medida decidida na altura pela UE – de não recomendar a todos os países as acções restritivas adoptadas pela Holanda -, o responsável admitiu, no entanto, que, uma vez comprovada a transmissão eficaz do vírus entre humanos, o risco será o mesmo para todos os países, de Cambodja a Portugal. Mais estima-se que, “em seis meses, a epidemia dê volta ao Globo”.

Fonte: DN

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