Sines sem peixe até segunda

Os pescadores de Sines, Litoral Alentejano, iniciaram ontem uma greve de três dias para protestar contra a falta de segurança e prejuízos causados no último mês, devido à presença no porto de pesca daquela cidade de mais de uma dezena de grandes embarcações provenientes de outros locais do País.

Neste primeiro dia de greve toda a frota piscatória de Sines foi paralisada, bem como a venda de peixe.

Para impedir a descarga do pescado, os pescadores locais estacionaram na quinta-feira as suas embarcações junto ao cais, espalharam redes pelo chão e realizaram uma concentração no porto de Sines. Em declarações ao CM, a secretária-geral da Associação de Armadores da Pesca Artesanal e do Cerco do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Filipa Faria, disse que durante o dia de ontem “ninguém foi ao mar, nem sequer os barcos de grandes dimensões de outros pontos do País que estão aportados em Sines”.

Para esta responsável, a presença destas embarcações, provenientes do Algarve e do Norte, têm causado diversos acidentes no porto de Sines. “O porto foi construído para a dimensão da frota local, constituída por 85 embarcações e 12 barcos de cerco (traineiras). Sines recebia, normalmente, três barcos de arrasto de outros portos, mas desde Agosto temos diariamente 12 arrastões a descarregar peixe e dois barcos de cerco.

Este excesso já causou vários acidentes incluindo o esmagamento de um barco artesanal contra o cais”, frisou.

Para agravar a situação os pescadores locais têm também sentido dificuldades na venda do peixe.

“Eles descarregam a toda a hora e quando os pescadores de Sines querem vender o peixe, são obrigados a baixar o preço para metade”, explicou, sublinhando que, para impedir esta situação os representantes do sector entregaram à Docapesca um regulamento para definir prioridades de acesso à lota e os locais de estacionamento das embarcações não residentes.

Francisco Venturinha, representante da Docapesca, reconheceu em declarações à Lusa que o elevado número de embarcações “causa transtornos”, mas sublinhou que a empresa não tem responsabilidades quanto às condições do porto porque é “apenas concessionária”. “Não podemos proibir ninguém de pescar ou vender o peixe.”, disse.

Fonte: Correio da Manhã

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