A Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela (Ancose) poderá extinguir-se se não lhe forem dadas facilidades para o pagamento a longo prazo de uma dívida ao IFADAP, alertou hoje o seu gestor.
Jorge David disse à agência Lusa que “a associação recebeu há dez dias a notificação de que tinha de devolver 69 mil euros ao IFADAP (Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e das Pescas, do Ministério da Agricultura)”, relativos a notas de crédito passadas no ano de 2000, a mais de 300 produtores, “que não foram consideradas uma despesa elegível”.
“Estamos a preparar um plano de pagamento para enviar esta semana à Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral (DRABL) e esperamos que haja boa vontade e alguma flexibilidade do Governo, porque caso contrário corre-se o risco de ter de se extinguir a Ancose”, afirmou.
Segundo Jorge David, a associação está a tentar negociar “o pagamento em várias prestações, durante vários anos”.
“O pagamento da dívida de imediato põe em causa a sobrevivência da Ancose e, consequentemente, dos seus 3.700 associados e a produção do queijo e do borrego, porque toda a sua linha orientadora provêm da associação”, frisou.
Jorge David contou à Lusa que, em 2000, a Ancose tinha passado as notas de crédito em causa “para compensar os produtores pelos prejuízos causados pelo trabalho de melhoramento da ovelha bordaleira da Serra da Estrela, uma vez que não recebiam qualquer apoio do Estado”.
“Nós, enquanto gestores do livro genealógico da ovelha bordaleira da Serra da Estrela, realizamos o contraste leiteiro (medição para saber a média de produção), a pesagem do borrego, a marcação dos animais, entre outras actividades com vista ao melhoramento da raça, mas que acabam por trazer prejuízos aos criadores”, justificou.
O gestor da Ancose explicou que as notas “entraram na contabilidade, foram aceites nas direcções regionais de agricultura da Beira Litoral e da Beira Interior e fiscalmente estão correctas, mas ao nível da auditoria do IFADAP não foram consideradas uma despesa elegível”.
“Atendendo às dificuldades que os agricultores estavam a atravessar, e como não recebiam apoio nenhum, a associação usou esta estratégia de utilização dos subsídios que recebe para comparticipar as despesas. Agora, pode vir a ser prejudicada por isso”, lamentou.
Jorge David teme que se esteja a pôr em causa “todo o programa de melhoramento da raça e a deitar por água abaixo o investimento feito durante duas décadas”.
A Ancose é responsável pelo programa de melhoramento da ovelha bordaleira da Serra da Estrela e pelo programa de sanidade animal de criadores dos concelhos de Pampilhosa da Serra, Góis, Arganil, Tábua e Oliveira do Hospital (distrito de Coimbra), Carregal do Sal, Nelas, Mangualde e Penalva do Castelo (distrito de Viseu), Seia, Gouveia, Fornos de Algodres e Celorico da Beira (distrito da Guarda).
Dá também apoio em termos do programa de melhoramento a criadores dos concelhos da Guarda, Aguiar da Beira, Viseu, Tondela e Portalegre.
Caso a Ancose se venha a extinguir, os seus 3.700 associados – que têm um efectivo de 110 mil pequenos ruminantes (ovelhas e cabras) -, deixarão também de ter os serviços de gestão agrícola, de tosquia e de elaboração de projectos de investimentos. A associação dá também apoio técnico às queijarias e no sector de comercialização.
Fonte: Lusa
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