Enquanto 854 milhões de pessoas no Mundo inteiro passam fome, outras tantas comem muito e muito mal. Para minimizar os danos de uma alimentação rica em gorduras – que origina diabetes e enfarte, por exemplo – a Fundação Choices difunde um novo selo, a colocar nas embalagens dos produtos que apresentam doses de açucares, gorduras trans e gorduras saturadas de acordo com as recomendações internacionais de nutrição.
“Com este selo e com a cooperação das indústrias que querem publicitar alimentos saudáveis – porque está na moda e vende – podemos ajudar a combater esta grande epidemia que é a obesidade, embora este seja um problema de resolução lenta. A primeira coisa a fazer é mudar o comportamento alimentar das pessoas, dando-lhes informação, muita informação”, afirmou Léon Jansen, do Comité Científico da Fundação Choices.
Na prática, as embalagens cujos conteúdos sejam mais saudáveis têm um selo que atesta a sua qualidade. Em Portugal pode encontrar-se esse selo na parte da frente e no lado esquerdo da embalagem do Lipton Ice Tea. Para para obter esse selo, a Lipton reformulou a sua composição, tendo hoje menos 10% de açúcar.
O programa, que arrancou em 2006 e é apoiado por organizações não governamentais, governos – destacando-se o holandês – e vários cientistas na área da alimentação, pretende ser global. “É um projecto com um ano e meio e que está implantado em apenas 20 países; mas, onde está, é reconhecido por 88% dos consumidores, sendo que, destes, 85% confiam no selo e 67% preferem os produtos com ele. O objectivo é chegar ao maior número possível de países”, avançou o responsável Léon Jansen.
“A verdade é que as pessoas não lêem a informação no verso dos pacotes, portanto, este selo vem facilitar-lhes a vida, porque alguém já fez esse trabalho. A pessoa só tem que pegar no produto com este símbolo e saber , com segurança, que leva algo mais saudável”, reiterou. A iniciativa, espera o responsável, vai incentivar as indústrias a produzirem alimentos menos prejudiciais, “porque todos querem oferecer comida saudável”, diz.
O programa investe muito em marketing, porque um dos objectivos é “ensinar a comer os produtos que comprou. Se a sopa tem o selo, então não precisa que se lhe acrescente sal. É dizer isto aos consumidores e dizê-lo sempre”, exemplificou.
Ao todo, são já 70 empresas da industria alimentar, dos Estados Unidos da América e da Europa, as que aderiram ao programa, tendo realizado modificações na composição de muitos dos seus produtos, por forma a terem menos sódio, fibras, açucares e gorduras. Estes critérios de nutrição foram estabelecidos pelo Comité Científico da Fundação Choices e serão revistos de dois em dois anos.
O selo do programa Choices pretende ser simples, reconhecido imediatamente e ter toda a credibilidade. Além disso, este é um programa aberto a qualquer indústria alimentar e de restauração, visando ser uma iniciativa para atravessar o planeta. O programa pretende que o selo seja reconhecido facilmente e que as indústrias lutem para o conquistar, alterando assim a composição dos seus alimentos por forma a ficarem mais saudáveis. A aplicação deste selo obedece a critérios científicos, independentes, e que serão revistos de dois em dois anos, sendo que serão efectuados estudos junto dos consumidores para perceber-se até que ponto aderiram à iniciativa.
Fonte: Jornal de Notícias
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