Segurança Alimentar: ASAE diz não haver informação de produtos contaminados

As autoridades portuguesas garantiram hoje que não há até ao momento informação de que os produtos alimentares transportados na Península Ibérica por empresas portuguesas em camiões de resíduos tóxicos tenham sido contaminados.

O presidente da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), António Nunes, disse em conferência de imprensa que foram já apreendidas 150 toneladas de produtos alimentares que deverão ser analisados.

António Nunes sublinhou ainda que a situação do transporte de alimentos em camiões que tenham transportado resíduos “só é irregular se houver contaminação” dos produtos.

As autoridades portuguesas estão a investigar a denúncia, quinta-feira, de um deputado espanhol segundo a qual duas empresas portuguesas usam camiões d e transporte de resíduos tóxicos para transportar, depois, produtos alimentares, para vários pontos da Península Ibérica, incluindo Portugal.

O deputado espanhol Francisco Garrido, porta-voz dos Verdes na Andaluzia, disse quinta-feira que camiões de duas empresas portuguesas são usados para levar resíduos tóxicos para a central de tratamento de Nerva, em Huelva, onde são lavados, viajando depois para Riotinto ou Huelva, onde são carregados com produtos alimentares.

De acordo com António Nunes além das 150 toneladas de casca de soja, destinada a alimentação animal, as duas empresas em causa transportavam também trigo e milho, este último utilizado também em rações animais, entretanto já consumidas.

Em relação ao trigo, destinado ao consumo humano, referiu que o alimento ainda não foi colocado no consumidor, dado que se encontra em circuito de transformação.

Os inspectores contaram com a colaboração das duas empresas visadas, que forneceram as fichas dos transportes, o que permite saber onde é que os produtos trazidos de Espanha foram depositados, referiu o presidente da ASAE, adiantan do contudo que só há documentação dos últimos três meses.

“Não podemos dizer há quanto tempo dura esta prática”, referiu António Nunes depois de referir que “não há provas que o transporte tenha provocado a contaminação dos alimentos” e que estes tenham sido consumidos.

A duração da investigação deverá depender do resultado das análises, adiantou.

O presidente da ASAE reforçou que não há provas de contaminação dos produtos trazidos para Portugal, contudo adiantou que o facto de serem transportados a granel pode suscitar maior preocupação.

“O problema não é o transporte, é a forma como ele é feito”, acrescentou.

Apesar das dúvidas, a ASAE não colocou, por enquanto, quaisquer restrições às duas empresas investigadas, que transportavam para os aterros espanhóis escória e pedra de alcatrão.

Em conferência de imprensa, o presidente da ASAE lamentou que Espanha ainda não tenha entregue às autoridades portuguesas o relatório sobre estes transportes, adiantando que só “não está a haver investigação conjunta, apenas troca de informação”.

Ainda de acordo com o presidente da ASAE, se ficar provado que houve contaminação dos alimentos e que esses chegaram ao consumidor, estamos perante uma situação de crime, que terá de ser ordenado pelo Ministério Público.

Fonte: Agroportal

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