O sector vitivinícola português reconhece a necessidade de uma reforma da organização comum de mercado (OCM), desde que esta seja levada a cabo com bom senso e equilíbrio. A apresentação do projecto da Comissão Europeia está agendada para 21 de Junho.
Sabe-se que o executivo comunitário vai apresentar uma proposta que contempla quatro cenários distintos de reforma. Estes vão desde a aposta na manutenção do status quo até a uma radical liberalização total do mercado. O documento propõe a interdição de novas plantações e o arranque de vinhas, que pode resultar na eliminação de 400 mil hectares de vinha da União Europeia.
O objectivo é a eliminação do um problema crónico de excedentes com que o bloco de países europeus se debate todos os anos.
De acordo com o Diário de Notícias, parece existir um consenso quanto à opção privilegiada da Comissão Europeia. Bruxelas deverá defender o segundo cenário, que é moderado e se designa por “reforma da OCM profunda”. Para o executivo, a manutenção da situação actual não faz sentido e as opções 3 e 4, “aplicação das linhas de base da reforma da PAC” e “desregulamentação”, resultam em «grandes custos sociais».
«Esperemos que haja coragem para realizar efectivamente uma reforma profunda, mantendo três princípios fundamentais: o apoio à reconversão das vinhas, a utilização de mosto concentrado como forma de combater os excedentes e melhorar a qualidade e a manutenção de alguma destilação, que é essencial para o vinho do Porto», afirmou a Associação Nacional dos Comerciantes e Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas.
O presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto concordou com este ponto de vista. «Embora podendo ser algo polémico, o documento da Comissão Europeia representa algum equilíbrio. Baseia-se no bom senso de reconhecer que os fundos estão a ser investidos para controlar excedentes e não para conquistarmos novos mercados e consumidores».
Para George Sandeman, há que admitir que «as vinhas que não são sustentáveis a longo prazo têm de ser arrancadas, devendo haver fundos dedicados à diminuição do minifúndio e à dedicação a novas actividades».
O responsável lembra que, se a política agrícola comum acaba em 2013, «faz sentido assumirmos que todos os fundos serão eliminados ou seriamente reduzidos até lá. Então, a questão está em negociar-se um período de transição para a reestruturação da vinha, com arranque da que não tem futuro, mas tendo particular atenção às questões sociais e ambientais».
Fonte: Diário de Notícias
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