Seca vai obrigar a cortes de água no Barlavento Algarvio

A zona do Barlavento Algarvio, entre Loulé e Vila do Bispo, onde se situam os principais empreendimentos turísticos da região, vai sofrer cortes no abastecimento de água já a partir de Julho. A medida, inédita desde que se começou a desenhar o actual cenário de seca extrema, no sul do País, resulta dos níveis considerados “muito preocupantes” registados nas últimas semanas no aquífero Querença/Silves, que abastece toda a região, e que vão levar à redução imediata, em 50%, da sua captação.

Segundo o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, que presidiu ontem à assinatura do contrato da primeira obra de abastecimento de água e saneamento básico da ilha da Culatra, Faro, o aquífero apresenta “sinais de sobre-exploração, pelo que a redução da sua captação é absolutamente necessária para testar se, daqui a algumas semanas, há indícios de recuperação dos seus níveis”.

Os cortes de água que aquela medida implica serão geridos “individualmente pelos municípios abastecidos pelo aquífero – Vila do Bispo, Lagos, Portimão, Silves, Lagoa, Albufeira e Loulé -, nomeadamente no que respeita aos períodos em que os mesmos serão efectuados”, esclareceu, por seu turno, o presidente da empresa Águas do Algarve, SA, Artur Ribeiro, que ainda esta semana começará a reunir com as sete autarquias. As Águas do Algarve irão recorrer ainda a fontes alternativas, designadamente outros aquíferos que não têm estado a uso, os quais poderão “compensar a redução da grande albufeira subterrânea Querença/Silves”, ao mesmo tempo que serão implementadas medidas de contenção de uso, como a eliminação de lavagem de ruas ou a aplicação de eventuais aumentos de taxas para consumos excessivos.

A zona do Barlavento, por ser a mais populosa do Algarve, constitui o grande quebra-cabeças das entidades que gerem o abastecimento de água. Não será de admirar, por isso, que o Governo esteja a equacionar, em articulação com as Águas do Algarve, a utilização, já em 2006, da pequena infra-estrutura existente no local onde vai ser construída a Barragem de Odelouca, assim como o recurso à Barragem de Santa Clara, no Baixo Alentejo, para, através de uma conduta, se poder abastecer a Estação de Tratamento de Água de Alcantarilha, concelho de Silves.

Uma situação que fica a dever-se à seca que o País atravessa. A 15 de Junho, metade do território encontrava-se em seca extrema. No que se refere à seca severa, registou-se um aumento de 20 para 29%, no período entre 31 de Maio e 15 de Junho, segundo o relatório do Instituto da Água. Um cenário que parece longe do fim. Segundo as previsões para os meses de Julho e Agosto, pelo menos nas regiões do Sul, “a temperatura média será superior ao normal”, enquanto ” a precipitação total será inferior” aos valores médios de outros anos.

Fonte: DN

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