A seca em Portugal e noutros países da metade ocidental da Europa é responsável, em 2005, por uma quebra na produção europeia de cereais de pelo menos 10%, anunciou, ontem, a Comissão Europeia.
A previsão segundo a qual a produção europeia será inferior em pelo menos 28 milhões de toneladas, face a 2004, baseia-se na análise científica efectuada pela Comissão Europeia a partir do seu sistema avançado de previsão dos rendimentos agrícolas, que se apoia em imagens de satélite e em modelos matemáticos de simulação do crescimento das culturas.
A principal razão da quebra na União Europeia são os efeitos da seca nos rendimentos das culturas. As zonas de produção mais afectadas situam-se em Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia. A seca de 2005 apresenta algumas semelhanças com a de 1976, um dos piores anos agrícolas europeus.
“Se a seca continuar, a área afectada pode aumentar e o efeito nos rendimentos das culturas pode ser ainda pior. Por outro lado, as restrições de irrigação poderão afectar as produções de milho-grão, arroz, beterraba sacarina e batata”, estima a Comissão, numa comunicação ontem publicada.
“A Península Ibérica enfrenta as condições mais graves dos últimos 30 anos e a situação é crítica”, lê-se na comunicação.
Em Portugal, as reduções esperadas nas produções são no trigo duro (-57%), no trigo mole (-50%), na cevada (-55%) e no arroz (-30%).
No que toca às pastagens, as observações por satélite mostram uma área afectada de 19,7 milhões de hectares, ou seja quase 48% do total das pastagens existentes nesta parte da Europa. As condições mais extremas, resultantes da falta de humidade e das elevadas temperaturas, são observadas em Portugal e Espanha. As cinco regiões portuguesas afectadas pela seca vivem o pior ano de sempre. O Norte e o Centro registam uma diminuição de chuva da ordem dos 340 milímetros (mm) cada, Lisboa e Vale do Tejo -310 mm, Alentejo -250 mm e Algarve -260 mm. A totalidade do território continental português regista um défice de precipitação de 280 mm.
Fonte: JN
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