A associação ambientalista Quercus considerou hoje que as medidas para combater a seca em 2005 estiveram aquém do desejável e questionou o destino dos 260 milhões de euros anunciados para evitar o desperdício nos próximos anos.
A Comissão para a Seca 2005 vai apresentar terça-feira um balanço das medidas tomadas e deverá anunciar novas propostas, mas para a Quercus ainda há muito por fazer.
O Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água aponta para um valor de cerca de 260 milhões de euros para encargos da administração ao longo de dez anos, sendo que grande parte deste valor (250 milhões de euros) se destina à área programática de incentivos económicos, financeiros e fiscais, referem os ambientalistas num comunicado.
Mas, “até agora o Plano continua por aplicar”, diz a Quercus, que quer saber qual o ponto de aplicação de cada uma das 87 medidas previstas.
A associação ambientalista enunciou cinco prioridades ao nível da água de consumo humano que deverão ser estabelecidas com urgência e que resultam de medidas incluídas neste Programa.
Entre estas contam-se a mudança do tarifário para reflectir a dimensão do agregado familiar e penalizar os grandes consumos, dar às águas residuais um tratamento adequado e prepará-las para outros usos e divulgar as perdas de água nas redes públicas, mostrando a sua evolução.
Para a Quercus, o consumo humano é prioritário, mas a agricultura como maior consumidor (87 por cento do total) e com um desperdício de água da ordem dos 40 por cento “deve merecer também grande atenção”.
Os ambientalistas entendem que “só a mudança de culturas e um regadio menos intensivo será compatível com um cenário de alterações climáticas que aponta para mais secas (e cheias) com maior gravidade e mais frequentes”.
“Os recursos hídricos não são ilimitados e em situação de escassez a sua gestão deve ser ainda mais cuidada”, lembram os ambientalistas, salientando que uma maior eficiência corresponde à redução dos caudais captados e a uma maior segurança no abastecimento e salvaguarda dos recursos.
Além do interesse económico associado à poupança de água, a Quercus acrescenta que a gestão eficiente deste recurso constitui também uma obrigação de Portugal no âmbito da Directiva-Quadro da Água.
Fonte: Agroportal
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