Seca: Produção de Mel Quase Toda Perdida no Sudoeste Alentejano/Costa Vicentina

A produção de mel ficou este ano quase toda perdida, devido à seca, na região do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, registando os piores resultados “desde que há memória”, segundo a associação de apicultores.

“Os apicultores têm vindo fazer o registo das colmeias e todos dizem que não tiraram mel nenhum ou que tiraram muito pouco”, adiantou hoje à agência Lusa o presidente da associação de produtores, Fernando Duarte.

Segundo o responsável da associação de apicultores, a produção deste ano atinge, em alguns casos, os 10 por cento do mel obtido em 2004, mas, na maioria das situações, a percentagem baixa para os cinco por cento.

“Este ano ainda está a ser pior do que 1945, que foi um ano muito mau para o mel, segundo contam os apicultores mais antigos”, relatou Fernando Duarte.

Em relação ao número de colmeias, o responsável destacou a diminuição, na ordem dos 20 por cento, em consequência da seca.

“Alguns apicultores aproveitaram mesmo esta fase má para abandonar a actividade”, sublinhou.

O quadro piora ainda mais com o facto dos preços do mel, a nível internacional, estarem este ano mais baixos, adiantou Fernando Duarte, advertindo que o problema deverá agravar-se em 2006.

“Os apicultores só irão recuperar o efectivo de abelhas na próxima Primavera, se o tempo ajudar, o que significa que só terão resultados daqui a dois anos”, explicou.

Realçando que os apicultores ainda se podem dedicar, este ano, à venda do mel produzido no ano passado, Fernando Duarte alega que “em 2006 os apicultores, muitos deles vivendo apenas desta actividade, poderão sentir muitas dificuldades económicas”.

Quanto às medidas de apoio anunciadas pelo Governo, a associação considera serem insuficientes, tanto ao nível do crédito, como da Segurança Social.

“A linha de crédito, quando foi anunciada, não referia qualquer prazo e acabou passado quatro dias, sendo que implicava o desencadear de um processo de pelo menos dois ou três dias. A outra modalidade destina-se apenas a quem não se dedica à apicultura em exclusivo, que são os mais afectados”, disse.

Fernando Duarte disse desconhecer a existência produtores que tenham recorrido aos apoios, dos cerca de 100 associados no Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, num universo de dez mil colmeias.

“As ajudas anunciadas pelo Governo não foram mais do que uma ilusão, que ficou muito aquém das nossas expectativas e necessidades. Quem aderisse, não só não resolveria a sua situação, como correria o risco de a agravar, endividando-se para obter um empréstimo de 500 euros”, critica.

Fonte: Lusa

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