O ministro da Agricultura, Jaime Silva, disse hoje, em Santarém, que só compreenderia as manifestações dos agricultores a decorrer em Beja se o Governo não cumprisse os apoios à seca prometidos.
Jaime Silva assegurou que o Governo vai cumprir o pagamento dos apoios prometidos para a última quinzena de Outubro e só no caso de falhar compreenderia os protestos dos agricultores.
“Há uma seca. Não acabou nem em Agosto nem no início de Setembro e de repente, oito dias depois de ter recebido a Confederação dos Agricultores de Portugal, com quem discuti todas as medidas, inclusive foi-me pedido para retardar a transferência dos cereais de forma a que não cheguem antes do final de Novembro, na semana seguinte, sem me ter sido pedida qualquer audiência” surge a manifestação dos agricultores, disse.
O ministro afirmou não ter qualquer informação de que havia um drama particular no Sul do Alentejo, sublinhando que a seca é mais vasta e que o Governo vai continuar atento e a actuar, adaptando as medidas que tomou se a situação de seca se mantiver.
O ministro reafirmou que está ao lado dos agricultores, realçando que este foi o primeiro Governo a dizer à União Europeia que Portugal tem um problema de seca e a negociar um conjunto de apoios que pressupõem de Bruxelas flexibilidade nas ajudas.
Jaime Silva recordou ainda que o montante negociado em Bruxelas para ser pago a partir do fim de Outubro é de 425 milhões de euros, uma parte dos quais (55 milhões) é dinheiro dos portugueses.
Sobre o plano para enfrentar as dívidas reivindicado pelos agricultores, o ministro reafirmou a recusa em abranger dívidas de 2003 e 2004.
“A seca é deste ano, há linhas de crédito sem juros para serem pagas até Junho de 2006 e poderão ser adaptadas se a seca se prolongar”, disse, sublinhando que o Governo não pode abrir linhas de crédito para minimizar problemas de alguns agricultores resultantes de investimentos de 2003 e 2004.
Segundo Jaime Silva, as ajudas não resolvem o problema da seca, “que só se resolve com uma política estrutural que é trazer água e aí o Governo também anunciou o Plano Nacional de Regadio”.
Beja é desde quarta-feira palco de uma manifestação de agricultores, que saíram à rua com tractores e alfaias agrícolas para protestar contra a situação difícil por que estão a passar devido à seca.
Fonte: Lusa
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal