Reforçar o abastecimento com mais barragens e combater o desperdício melhorando a eficiência no consumo de água foram algumas das medidas hoje apresentadas pelos ministros do Ambiente e da Agricultura para prevenir os efeitos de secas futuras.
Os governantes apresentaram hoje um balanço das acções tomadas durante a seca de 2005 e lançaram novas propostas.
“Aprendemos várias lições com a seca de 2005”, disse o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, enfatizando a necessidade de “reforçar as medidas estruturais”.
Entre estas, contam-se o reforço das reservas estratégicas de água, “de vido à irregularidade do clima que tende a acentuar-se com às alterações climáticas” e a adopção de planos de contingência centrados nos vários sectores de actividade e sistemas de abastecimento.
O reinício da construção da barragem de Odelouca, parada devido a um contencioso com Bruxelas, foi considerado essencial.
“Se [esta barragem] já estivesse operacional não haveria os problemas que houve no Algarve”, defendeu Nunes Correia.
O desenvolvimento do Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água é outra prioridade.
O Programa foi aprovado em meados de 2005 e está a ser analisado por um a comissão ministerial que deverá preparar um relatório dentro de dois ou três meses.
“Dentro de um ano ou um ano e meio haverá propostas concretas e quantificadas para melhorar o uso eficiente da água”, afirmou Nunes Correia.
“Não há um extenso programa de construção de barragens. As nossas preocupações centram-se mais na gestão criteriosa e uso eficiente da água”, sublinhou , acrescentando que “esta é a principal origem de água” que deve ser desenvolvida em Portugal.
Nos próximos dez anos, o Governo quer aumentar a eficiência do abastecimento urbano dos actuais 60 para 80 por cento, dos usos industriais de 70 para 9 5 por cento e dos usos agrícolas de 60 para 65 por cento.
“Esta diferença de apenas 5 por cento no caso da agricultura parece pouco significativa, mas tem uma extrema expressão porque este é o sector que consome maior volume de água”, vincou o titular da pasta do Ambiente.
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, recordou 2005 como “um ano difícil para os agricultores” que tiveram de enfrentar quebras de rendimento de 11 por cento e quebras de produção que atingiram nalguns sectores, 45 por cento.
“Adoptámos as medidas possíveis”, declarou Jaime Silva, reafirmando a necessidade de encontrar “soluções estruturais”.
O ministro mostrou-se optimista com a conclusão das negociações comunitárias relativas às perspectivas financeiras dos próximos anos, já que os montantes atribuídos permitem retomar o Plano Nacional de Regadio.
No caso do Alqueva, por exemplo, espera-se que até ao fim da legislatura se atinjam os 20 mil a 25 mil hectares regados.
Nos próximos dois ou três meses vai ser apresentado o Plano de Desenvolvimento Rural.
A Comissão para a Seca 2005 cessou hoje funções, mas o ministro do Ambiente disse que vai ser mantido um pequeno grupo para acompanhar a situação.
Sobre a evolução da seca, que ainda afecta mais de 80 por cento do território nacional, Francisco Nunes Correia disse que Janeiro, Fevereiro e Março serão meses decisivos.
“É entre Janeiro e Março que ocorre a maior parte da precipitação. Neste momento não falta água em nenhuma cidade. Temos de ver o desenrolar da situação”, afirmou, admitindo, no entanto, que “os níveis [das barragens] ainda não estão repostos”.
Quanto à possibilidade de uma nova seca grave este ano, Nunes Correia a firmou: “não há lugar para pessimismos, nem para optimismos porque não sabemos o que vai acontecer”.
Espanha e França temem que 2006 seja novamente um ano seco e já anunciaram medidas para combater as consequências deste fenómeno.
Em Espanha, as novas medidas de gestão da água incluem, por exemplo, a construção de mais uma central de dessalinização.
A última seca grave que atingiu Espanha ocorreu na década de 90 e durou cerca de cinco anos.
Entre Setembro e Dezembro de 2005, Espanha teve ainda menos precipitação do que no mesmo período do ano anterior, por isso o défice de água aumentou.
Segundo os últimos dados, a reserva hidrológica espanhola encontra-se a 47,2 por cento da capacidade total.
O governo francês também já deu conta das dificuldades que se avizinham : a falta de chuva no Outono juntou-se à do ano anterior e as estimativas aponta m para um défice de um terço a 50 por cento de precipitação em todo o território .
A ministra francesa do Ambiente admitiu, entretanto, que 2006 poderá bater recordes em termos de seca e aconselhou os agricultores a ponderar estas condições no momento de escolher as culturas de Primavera.
França apresentou em Outubro passado um plano de gestão da escassez de água, prevendo-se que na Primavera arranque uma acção de sensibilização para a necessidade de poupar água dirigida ao grande público.
Fonte: Agroportal
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