Seca já chegou ao Douro

A Região Demarcada do Douro já começou a sentir os efeitos da seca extrema que aflige o país. Nas vinhas mais expostas ao sol, os sintomas da falta de água são já evidentes, sobretudo nos concelhos de Alijó, S. João da Pesqueira, Foz Côa, Torre de Moncorvo e Murça. Em algumas zonas, a percentagem média de folhas secas por videira chega a ultrapassar os 80% e em Casal de Loivos, Alijó, há vinhas cujas parras estão totalmente secas.

Fernando Alves, da Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), admitiu ao JN que “a seca já está a condicionar a vida vegetativa da videira” e que “a situação é muito preocupante”. “Em 2004 , choveu metade do normal para as vinhas da região e, este ano, só 30% em relação ao habitual”, acrescentou.

Além do impacto na folhagem das videiras, a consequência da falta de chuva afecta a evolução do próprio bago, que está menor, com a película mais grossa e menos sumo.

Sim à rega com condições

Esta situação invulgar, causada pela falta de chuva, levou mesmo o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) – a pedido do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) – a considerar o Douro como uma região com condições de ocorrência de stresse hídrico.

No contexto, o IVDP autorizou seis empresas a recorrer, a título experimental, à rega das vinhas (interdita na região demarcada), desde que cumpram algumas condições.

A experiência só será permitida se enquadrada num estudo que uma comissão criada pelo IVDP está a fazer sobre a rega das vinhas do Douro e os seus efeitos na qualidade e quantidade do vinho produzido. Dentro de três anos, a comissão deverá “avançar com os primeiros resultados conclusivos”, afirmou fonte ligada ao processo.

Em paralelo, o IVDP fará um levantamento de todos os sistemas de rega já existentes na Região Demarcada do Douro e vai apurar junto das empresas que adoptaram essa prática “se houve ou não perda de qualidade (diminuição da graduação alcoólica) e se teve reflexo na quantidade”, afirmou Jorge Dias, da direcção do IVDP. Só sabendo “no terreno as consequências da rega” é que se poderá “partir para uma conclusão avalizada sobre esta matéria”, sublinhou.

Já o presidente da Casa do Douro, Manuel António dos Santos, tem reservas quanto à rega das vinhas e o possível aumento da produção que daí poderá decorrer. “Se já temos vinhos de mesa a serem vendidos a 100 euros a pipa, como é que vamos enfrentar o problema da rega, sabendo que uma das suas consequências é o aumento de produção?”, questiona.

Por sua vez, José Maria Soares Franco, da Sogrape, defende o apoio à rega, “desde que seja controlada e induza produções de melhor qualidade”, mas avisa que o problema “é saber como e quem vai controlar este processo”.

Sogrape assegura colheitas

A Sogrape continuará a aceitar as uvas de cerca de 600 agricultores de Vila Real e Sabrosa, cujas colheitas são entregues na sua unidade de Mateus. A intenção contraria a tendência de contracção manifestada por algumas casas exportadoras, cada vez mais autónomas na produção, bem como de adegas cooperativas. José Maria Soares Franco reconhece que “a Sogrape entrou numa fase profunda pela integração da Sandeman” , mas vai “continuar a receber as uvas de melhor qualidade nas suas instalações de Mateus, em Vila Real”. Nessa unidade, a Sogrape produz cerca de quatro milhões de litros de vinho generoso, doc e de mesa. Questionado sobre as expectativas para este ano, Soares Franco considerou que ainda é cedo para uma previsão sobre a colheita, mas adiantou que, “se as condições climáticas continuarem assim, não fico muito optimista”. Contudo, ressalvou que ainda falta bastante tempo até às vindimas e que “tudo vai depender das temperaturas”.

Fonte: JN

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