Depois de uma semana de reuniões em Bruxelas, os mais de 400 cientistas que participaram no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas concluíram que mais de mil milhões de pessoas em todo o Mundo poderão sofrer com a falta de água a partir de 2020 e que as populações mais pobres serão as mais afectadas pelo aquecimento global.
A principal causa será o derretimento precoce da camada de gelo de cadeias de montanhas, como os Himalaias e os Andes, causado pelo aumento da temperatura na Terra.
Segundo os cientistas, as montanhas Chacaltaya, na Bolívia, perderam quase toda a capa de gelo em 2004. Até o final do século, 75% do gelo dos Alpes pode desaparecer.
O relatório prevê ainda que, se a temperatura global subir mais de 1,5 graus em relação aos índices de 1990, os ecossistemas regionais mudarão ao ponto de levar à extinção de um terço das espécies de animais e plantas do planeta. O rendimento dos cultivos agrícolas e da pecuária também serão afectados, principalmente na África e Ásia.
“Actualmente cerca de 900 milhões de pessoas passam fome no Mundo e esse número deve aumentar por causa da mudança climática”, disse Martin Perry, co-presidente do grupo de trabalho responsável pela segunda parte do relatório.
A malnutrição, por sua vez, contribuiria para o aumento da incidência de doenças nas regiões mais pobres do Mundo. “Reduzir a vulnerabilidade da população em relação à saúde e desnutrição é o mais importante que deve ser feito pelos países em desenvolvimento”, disse.
Segundo os cientistas, o cenário mundial já começou a sofrer modificações por culpa do aquecimento global e as sociedades deverão enfrentar grandes dificuldades para se adaptar a seus impactes.
Fonte: Correio da Manhã
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