A seca endividou os agricultores portugueses e a sua difícil situação não parece ter fim à vista. Os prejuízos vão estender-se para lá do Verão.
No sector da pecuária, «a prioridade é não deixar morrer os animais», explicou o agricultor Luís Minas, de Campo Maior. Mas essa não é tarefa fácil, já que o pasto não existe, a palha esgotou-se e a debilidade dos animais vai-se tornando cada vez mais grave.
Os agricultores tiveram, por isso, de adquirir palha para dar aos animais, logo no início do ano, mas essa situação significa que, para o ano, não há alimento armazenado para os animais e os stocks disponíveis no mercado estão já no limite. Até a hipótese de recorrer a Espanha já não se encontra na mesa, porque a seca também afectou o país vizinho.
O sector dos cereais é outro dos principais afectados. As campanhas de Inverno e Primavera foram profundamente afectadas, porque muitos agricultores, prevendo a acumulação de prejuízos, optaram por não plantar. As reduções na produção alcançam os 50 por cento em muitas regiões, particularmente no Alentejo.
O presidente da Associação dos Agricultores de Portalegre, Gama Pinheiro, afirmou que, «mesmo que chova e se deixe de falar de seca, os agricultores vão permanecer numa situação desesperante, pois estão endividados e sem maneira de enfrentar a próxima campanha», cita o “Diário de Notícias”.
É neste cenário que os agricultores dirigem críticas à actuação governamental, dizendo que a criação de três linhas de crédito não é suficiente. Os produtores portugueses querem a declaração do estado de calamidade, uma hipótese ontem admitida pelo ministro da Agricultura, Jaime Silva.
O Parlamento Europeu já disse, também, que vai estudar a possibilidade de adaptar o Fundo de Solidariedade Europeu (FSE), de forma a que contemple os problemas advenientes da seca. Desta forma, os produtores de gado poderiam receber ajudas. Esta proposta partiu do eurodeputado Capoulas Santos, tendo contado com a aprovação dos 25 estados-membros.
O presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, Joseph Daul, visitou Portugal e mostrou-se sensibilizado com a situação. Garantiu que apelará junto da comissária da Agricultura para que mostre «abertura para a crise». Mariann Fischer Boel visita Portugal ainda esta semana.
O Ministério da Agricultura e os eurodeputados portugueses estão a exercer pressão para que o FSE seja revisto o mais depressa possível, mas, de acordo com o “Diário de Notícias”, «os apoios não chegarão ao bolso dos agricultores neste período».
A eurodeputada comunista Ilda Figueiredo defendei «a adopção de medidas específicas», avançando que «não chega adiantar subsídios e apoios já existentes. É necessário uma ajuda de emergência para situações de emergência e de calamidade».
Fonte: DN
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