As previsões actualizadas do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) apontam para uma quebra de 20% na produção da actual campanha vitivinícola, para um total de 600 milhões de litros. A diminuição é muito superior ao previsto no final de Julho, quando as estimativas indicavam um recuo de 4% em relação à campanha anterior. A actualização foi feita com base na evolução verificada em Agosto, quando a persistência de temperaturas em torno dos 40 graus, em vários pontos do país, vieram agravar as condições de seca extrema.
Afonso Correia, vice-presidente do IVV, admite que uma perda de 20% traduz uma “quebra acentuada”, embora na média das três últimas campanhas o decréscimo seja menor (-16%). Entre as campanhas mais recentes, as duas em que houve quebras foram na ordem dos 14%. A mais forte remonta a 1998/99 quando a quantidade produzida foi 38% inferior à campanha anterior, tendo sido uma espécie de ano negro na vitivinicultura, com uma produção quase metade da prevista para actual vindima.
Consequências
Apesar da diminuição em perspectiva, os agentes do sector tendem a ver o lado positivo falam numa produção de qualidade excepcional, embora com algumas reservas; e nas vantagens da redução da oferta, por permitir regularizar e estabilizar o mercado.
Luís Duarte – enólogo que exerce actividade no Alentejo, região onde a perda será maior (-30%) – admira-se de ainda ser possível retirar alguma vantagem, depois da exposição das vinhas a condições tão severas como a seca e os incêndios, mas acredita que, este ano, os vinhos vão atingir “qualidades incríveis”. E sintetiza “A qualidade paga a quantidade”, numa alusão às perdas de rendimento das uvas por falta de água.
Vasco Avillez, presidente da ViniPortugal, alerta para o desconhecimento do efeito nos vinhos das condições climatéricas extremas que o país atravessa, por ser uma situação raríssima e sem registo do comportamento dos vinhos em semelhante contexto. Afirma ser necessário esperar uns seis meses até se poder avaliar, nomeadamente, os parâmetros de qualidade. Por outro lado, entende como “bom”, um bom que coloca entre aspas, o facto de a quebra ocorrer quando o país tem stocks de vinho a mais. Mas lança um aviso “Espero que os agentes económicos não desatem a levantar os preços, porque, se isso acontecer, as exportações vão cair ainda mais”.
Luís Pato, viticultor da Bairrada, tende a pensar que a quebra na produção não será tão forte quanto o previsto pelo IVV, e também tem algumas reservas em generalizar a relação seca/qualidade, pelo simples facto de considerar que a destruição das folhas pelo calor contribui para reduzir o açúcar na uva.
Fonte: JN
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