Sal certificado é esperança para travar crise

Três produtores de sal artesanal da Figueira da Foz receberam, ontem, os primeiros certificados de qualidade do “Sal Marinho Artesanal”, conferidos pela Sativa, empresa de Controlo e Certificação de Segurança Alimentar. O processo de certificação foi o resultado de dois anos de trabalho para “valorizar” o sal figueirense.

Com a distinção do sal e da flor de sal marinho, os produtores acreditam que “será mais fácil”, a partir de agora, escoar as muitas toneladas de produto que se acumulam em armazéns junto às salinas.

“As pessoas ao adquirirem o nosso produto sabem que vão consumir um sal de qualidade”, disse, ao JN, José Bertão, de 72 anos, um dos três produtores certificados.

Rosto carregado e queimado pelo sol, o ex-vidreiro, residente na freguesia de Vila Verde, é proprietário de duas salinas (as marinhas Doutores), com uma área de cerca de 11 hectares. Desde 2005 que tem 120 toneladas de sal e 600 quilos de flor de sal para escoar. “Não conseguimos combater os preços do sal que nos chega, por exemplo, da Tunísia e da França. É vendido mais barato e ainda enganam o consumidor a dizer que é sal português”, acusa.

Manuel Piedade, 65 anos, de Lavos, é marnoto – trabalhador de salina – “há uma vida”. Ocupa-se diariamente de marinha Ucharia, na Morraceira e tem sete toneladas de produto para vender. “É um trabalho duro e pouco apelativo aos jovens. A juventude hoje quer é computadores e boa vida. Quem é que quer trabalhar toda a semana, sábados e domingos para, depois, não receber quase nada?”, questiona.

Já o distinguido João Gomes, 65 anos, de Lavos, tem melhor sorte. Com o sal todo escoado falta apenas vender cerca de 300 quilos de flor de sal. “As pessoas ainda não tem a noção das qualidades e benefícios da flor de sal”, observa. O futuro do salgado da Figueira da Foz é, por isso, uma incógnita. O sector atravessa uma crise sem precedentes, que tem levado a um progressivo abandono ou transformação das salinas locais.

A produção de sal já foi uma das principais actividades económicas do concelho. Chegou a dar trabalho a mais de duas mil pessoas. Mas hoje, das cerca de três centenas de marinhas que compõe o salgado figueirense, só 54 estão em funcionamento.

Fonte: Jornal de Notícias

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