Risco de aves infectadas aumenta dentro de 15 dias

A partir da próxima semana mais de 150 mil caçadores em todo o País vão começar a enviar amostras das suas caçadas para a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) para serem submetidas a testes de despistagem à gripe das aves.

Da mesma forma também a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça (ANPC) – que detém mais de 400 zonas de caça turística –, receberá um ‘kit’ de amostragem para distribuir pelos seus associados.

“Os caçadores andam no terreno e são um importante parceiro na monitorização das rotas e na identificação de aves infectadas”, adiantou ao CM fonte da DGV.

O Laboratório Nacional de Investigação Veterinária já realizou, entretanto, para cima de dois mil testes a aves migratórias e não migratórias prevendo-se que durante este mês e os meses de Novembro e Dezembro venha a efectuar mais 500 a aves migratórias.

Dos testes realizados, uma larga fatia vem na sequência de telefonemas feitos por cidadãos comuns à DGV. “São pessoas que encontram aves mortas e que ligam para nós”, explica fonte da DGV. “O laboratório não tem feito outra coisa senão atender este tipo de situações.”

Embora seja pouco provável que, a chegar a Portugal, o vírus da gripe das aves venha através das rotas migratórias – primeiro porque na nossa rota migratória não foi detectado o vírus, depois porque o número de aves aquáticas que temos é muito reduzido e finalmente porque estamos no final dessa rota – todo o cuidado é pouco. Jacinto Amaro, da Fencaça – Federação Portuguesa de Caça, que representa 150 mil caçadores e mil associações, lembra que “o grande problema tem a ver com o cruzamento, a Leste e a Norte da Europa, das rotas migratórias que pode infectar a que vem para Portugal’. O mesmo é dizer que o perigo é remoto, mas não impossível.

As associações de caçadores estão preocupadas e já lançaram, entre os seus associados, uma circular a alertar para os perigos e as medidas de higiene e segurança a seguir. “Não amontoar a caça, lidar com as aves com luvas e depená-las com máscara”, conta Jacinto Amaro que lembra que “a partir do momento em que a gripe se aplica às aves aquáticas os caçadores são um grupo de risco”.

A Fencaça garante “cobrir o País por amostragem do Baixo e Alto-Alentejo ao estuário do Tejo e até Caminha”. Ao Instituto de Conservação da Natureza (ICN) caberá, por seu turno, capturar para análise as aves que não podem ser caçadas, como algumas espécies protegidas.

PERIGO EM NOVEMBRO

É já entre Novembro e Janeiro que passam por Portugal os grandes contingentes de rotas migratórias, fugidos do frio do Norte e do Leste da Europa.

E são esses contingentes que, segundo os especialistas, podem trazer algumas aves infectadas depois de se cruzarem com rotas contaminadas. As espécies de risco são sobretudo os patos, as gaivotas e as cegonhas.

‘STOCK’ PARA 5 POR CENTO

Portugal tem um ‘stock’ de medicamentos antivirais contra a gripe das aves suficiente para as necessidades dos grupos de risco, mas abaixo das quantidades recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Contas feitas temos medicamentos para cinco por cento da população, enquanto a OMS recomenda ‘stock’ para 25 por cento.

DIAGNÓSTICO

COMO SE TRANSMITE?

A transmissão da gripe ao homem faz-se pelas vias respiratórias. O vírus é expelido nas fezes das aves que, uma vez secas, se pulverizam no ar, sendo depois inaladas. Mas o contacto também facilita o contágio.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Os sintomas da gripe das aves são muito semelhantes aos da gripe comum: dor de cabeça e garganta, febre alta, dificuldades respiratórias, tosse e, em casos graves, aparecimento de pneumonia.

EXISTE TRATAMENTO?

Ainda não há uma vacina eficaz. Mas há medidas que podem controlar a extensão da epidemia, como lavar as mãos depois de visitar instalações agropecuárias ou mercados de aves e evitar o contacto com aves.´

ÚLTIMAS DA GRIPE

TAMIFLU SÓ EM 2006

A primeira fase de abastecimento do Tamiflu deverá chegar a Portugal no segundo semestre de 2006. O ministro da Saúde, Correia de Campos, explicou ontem que a data não poderá ser antecipada porque o seu antecessor, Luís Filipe Pereira, declinou uma oferta para a compra do Tamiflu já no início deste ano. Correia de Campos esclareceu, contudo, que essa recusa foi feita num contexto diferente do actual, quando ainda não estava iminente uma pandemia.

ESPANHA PEDE MAIS

A Comissão de Saúde Pública espanhola acordou ontem por unanimidade encomendar entre 6 a 10 milhões de doses de Tamiflu, quando inicialmente tinha pedido apenas dois milhões. Espanha terá assim capacidade para cobrir entre 15 a 25 por cento da sua população.

AMEAÇA GLOBAL

Os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus declararam ontem que o surto de gripe das aves que passou da Ásia para a Europa é “uma ameaça global” que requer uma cooperação internacional alargada e concertada.

HUNGRIA FAZ TESTES

A Hungria está a trabalhar numa nova vacina contra a gripe das aves. “Se os resultados foram positivos e se a situação o exigir, o Governo “vacinará a população gratuitamente”. Quem o garantiu foi o primeiro ministro Ferenc Gyurcsany, numa entrevista à rádio nacional daquele país.

ITÁLIA POR DIAS

Uma perita italiana em virologia admitiu que a chegada da gripe das aves à Itália é uma questão de dias, depois do anúncio da descoberta do primeiro caso na Grécia. “A Grécia e a Itália estão na mesma latitude e isso significa que se os pássaros migradores portadores do vírus atingiram esse país, alguns até já estarão também em Itália.”

ROMÉNIA EM ALERTA

As autoridades romenas anunciaram um possível novo caso de gripe das aves com o aparecimento de um cisne com anticorpos do vírus numa aldeia situada no delta do Danúbio. Vários cisnes e um pato foram também descobertos com anticorpos semelhantes em outras duas aldeias.

Fonte: Correio da Manhã

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