Os cogumelos podiam ser a galinha dos ovos de ouro de muitos produtores florestais transmontanos. Mas o seu potencial é praticamente inexplorado na região, onde estão pouco estudados e são ainda pouco apreciados.
Francisco Martins, presidente da Associação Micológica A Pantorra, com sede em Mogadouro, explicou que estes fungos comestíveis de elevado teor proteico, muito apreciados na gastronomia, são apanhados e vendidos de forma não controlada e inadequada. Muitas das espécies apanhadas nas aldeias são vendidas para Espanha, ficando a mais valia desses produtos no estrangeiro, onde o preço triplica.
Em termos gastronómicos, também poderiam ser mais bem utilizados e promovidos, mas são poucos os restaurantes do distrito que os têm nas ementas.
A sua rentabilidade é muito superior à produção de alguns tipos de madeira. Francisco Martins diz que um hectare de pinheiros pode dar mais rendimento em cogumelos do que em madeira, durante os cerca de 30 anos que demoram a crescer até ao seu corte.
A Associação Micológica A Pantorra tem vindo a desenvolver, desde 1999, um trabalho na valorização destes produtos, através da realização dos já tradicionais encontros micológicos transmontanos. “Só conhecendo e sabendo o que existe, podemos dar-lhe valor. As povoações interessam-se, mas de uma forma pouco ajustada à rentabilidade, que pode ser muito aumentada”, afirmou.
Os responsáveis da associação querem fazer uma inventariação das espécies da região, uma vez que só uma reduzida parte é aproveitada. Apesar de haver muitas mais que podiam ser comercializadas. Em marcha, está uma maior inventariação das espécies de cogumelos do Parque do Douro Internacional (Mogadouro, Freixo de Espada-à-Cinta e Miranda do Douro), do Parque Natural de Montesinho (Bragança e Vinhais) e da mata de Morais (Macedo de Cavaleiros), áreas naturais onde é fácil coordenar os registos através da mapeamento das zonas e da caracterização florestal.
A inventariação será extrapolada para o resto do resto do distrito. A realização do inventário pode demorar cerca de três anos, mas, durante a semana micológica em Bragança, a realizar em Novembro, poderá conseguir catalogar-se mais de 50% das espécies.
Actualmente, existe um registo com 250 espécies de cogumelos do Douro Internacional, que foi feita pela associação. Nem todos são comestíveis, mas todos são importantes, porque cumprem uma função biológica para a floresta. Algumas espécies podem competir com doenças do castanheiro, como a da tinta, porque protegem a própria árvore.
Os cogumelos correm dois riscos imediatos. A apanha indiscriminada é um problema grave, “porque apanham os cogumelos muito pequeninos e estes não cumprem o seu ciclo biológico. Estes têm de abrir para largar as suas sementes”, explicou.
Outro problema prende-se com a agricultura. Quando os castanheiros são muito lavrados, vão destruir-se os miscelos. Pelo que é urgente que os agricultores adoptem medidas de tratamento mais adequadas.
Fonte: Jornal de Notícias
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