Rios da Amazónia Contaminados pela Produção de Soja

Pequenos rios da Amazónia já registam um alto grau de contaminação por produtos tóxicos utilizados, nomeadamente, em plantações de soja, revela um estudo ontem tornado público.

Um dos locais com alto grau de contaminação fica na cidade de Paragominas, 326 quilómetros ao Sul de Belém, capital do Estado do Pará, que concentra três por cento de toda a água doce do planeta.

Pequenos rios da região registam baixa concentração de oxigénio na água, resultado da contaminação de produtos químicos, segundo investigadores da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), órgão de investigação do governo brasileiro.

As plantações, nomeadamente de soja, milho, arroz e algodão, registaram um aumento de 40 por cento nos primeiros meses deste ano, em relação a igual período de 2004, na região de Paragominas.

Os investigadores observaram que o potencial de hidrogénio (PH) dos rios da região de Paragominas está em torno de seis, ou seja ácido, o que impede a reprodução dos peixes.

O PH é um índice, com variação entre 0 e 14, que determina se a água está ácida ou básica, salienta a reportagem do jornal Folha de São Paulo.

“Nessa região, os produtos químicos (agrotóxicos) são utilizados com elevada frequência, sem preocupação com a integridade dos recursos hídricos”, refere o estudo.

Os principais produtos químicos encontrados nos rios da região são fungicidas, pesticidas e fertilizantes, salienta o estudo dos investigadores da Embrapa.

Um outro estudo indica que a população urbana da região Amazónica quase triplicou no período de 1980 a 2000, passando de 4,7 milhões para 13,7 milhões de habitantes.

O estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (Imazon), tornado público hoje pelo jornal O Estado de São Paulo, indica que o aumento da população acelera a desflorestação e a contaminação dos rios da região.

“Há um padrão negativo de utilização da água na região, com um consumo exagerado já que a população e as autoridades tratam os recursos hídricos como inesgotáveis”, afirmou o investigador do Imazon, Valmir Santos.

Dados oficiais divulgados no final de Maio indicam que a desflorestação da Amazónia aumentou seis por cento, para 26.130 quilómetros quadrados, no período entre Agosto de 2003 e Agosto de 2004, face ao período homólogo entre 2002 e 2003.

Trata-se da segunda maior área desflorestada no período de um ano, equivalente a cerca de um terço da superfície de Portugal, desde que o Governo brasileiro iniciou o acompanhamento da destruição da Amazónia, em 1988.

A maior desflorestação já registada decorreu no período entre Agosto de 1994 e Agosto de 1995, quando foram destruídos 29.059 quilómetros quadrados.

O ritmo de destruição da floresta surpreendeu os especialistas do Governo brasileiro, cuja projecção inicial apontava para um aumento da desflorestação em torno de dois por cento.

Fonte: Lusa

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