A próxima reunião entre representantes da União Europeia e do Mercosul, que começa quinta-feira em Bruxelas, pode dar um impulso para relançar as negociações entre os dois blocos, disse ontem o novo chefe da delegação da Comissão Europeia no Brasil.
“Os ministros podem definir um novo road map para as negociações, reexaminar as ofertas e ver onde se pode progredir”, afirmou o embaixador português João Pacheco.
Segundo o representante europeu, há a intenção “de relançar as relações a sério” entre os dois blocos, paralisadas desde Outubro do ano passado.
A cimeira de Viena, entre os líderes da UE e da América Latina e Caribe , marcada para Maio de 2006, seria, em sua opinião, uma “excelente ocasião” para a assinatura de um acordo de livre comércio entre os europeus e os integrantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).
“Mas não há a intenção de fixar datas sem antes criar uma dinâmica nas negociações”, ressaltou.
O embaixador admitiu que a reunião de Hong Kong, em Dezembro, será um m arco importante na ronda de Doha e “servirá, qualquer que seja o resultado, para clarificar a situação, facilitando as negociações entre o Mercosul e a União Europeia”.
João Pacheco lembrou, contudo, que Doha não vai fechar em Hong Kong e por isso o relançamento das negociações entre UE e Mercosul cria uma alternativa.
“Quando há esforços de liberalização entre grandes blocos, como é o caso da UE e Mercosul, isto facilita as negociações multilaterais”, afirmou.
Na reunião de Bruxelas vão participar os ministros das Relações Exteriores dos quatro países do Mercosul e os comissários europeus do Comércio, Peter Mandelson, das Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner e da Agricultura, Mariann Fischer Boel.
Questionado se a actual crise política brasileira poderia interferir nas negociações entre os dois blocos, o novo chefe da delegação da Comissão Europeia disse não acreditar nessa possibilidade.
“Vemos a crise actual como um assunto interno brasileiro e não creio que isso possa contaminar as negociações. Vemos que as instituições estão a funcionar, os media também, há liberdade de informação e o presidente e o Congresso estão em funções normais”.
De acordo com João Pacheco, “o Brasil é, apesar da crise política, um foco de estabilidade na América do Sul”.
O embaixador admitiu, entretanto, que os problemas comerciais dentro do Mercosul, com os países a discutirem ainda a questão de barreiras alfandegárias , “não são bons para o acordo” com a UE.
“Mas o acordo (com a UE) é bom para a integração regional do Mercosul”, ressaltou João Pacheco.
O embaixador disse que há disposição na Comissão Europeia de rever a sua oferta “em função das indicações também do lado do Brasil e dos outros parceiros do Mercosul”.
O governo brasileiro já admitiu que poderá fazer concessões no sector de serviços, como deseja a UE, se os europeus fizerem uma proposta mais atraente na área agrícola, o ponto mais sensível das negociações para os sul-americanos. João Pacheco afirmou que há actualmente uma “constelação política” na C omissão Europeia, sob a presidência do antigo primeiro-ministro português Durão Barroso, favorável à concretização de um acordo com o Mercosul.
O representante europeu destacou também a necessidade de dinamizar nova mente os agentes económicos dos dois blocos, cujo interesse nas negociações sofreu um certo arrefecimento desde a paralisação das negociações em Outubro.
Fonte: Lusa
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal