Apesar de serem obrigatórias, as embalagens invioláveis de azeite poderão voltar a desaparecer da paisagem gastronómica portuguesa, caso tenha êxito a pressão que a Associação de Restauração e Similares de Portugal (ARESP) está a fazer sobre o Governo. A intenção é conseguir revogar a portaria que obrigou ao uso das garrafas de 250 mililitros nas mesas dos restaurantes.
Ontem, a ARESP divulgou um comunicado onde afirma que o ministro da Agricultura, Jaime Silva, apoia a sua posição na questão do azeite, tendo numa reunião mostrado estar “disponível” para estudar o problema, que resulta de uma decisão do anterior Governo.
Fonte do gabinete do ministro da Agricultura disse ao DN que a questão das embalagens de azeite nos restaurantes está a ser estudada, mas não confirmou qualquer intenção de revogação da controversa portaria 24/2005, que proíbe os antigos galheteiros. O Governo afirma ter recebido queixas (não apenas da ARESP) e o ministro Jaime Silva, na reunião com os representantes da restauração, “mostrou disponibilidade e abertura para o que viesse a acontecer” na questão das embalagens.
Mas o secretário-geral da ARESP, José Manuel Esteves, disse ao DN que o ministro se mostrou “receptivo a revogar a portaria”. Na reunião, segundo o dirigente associativo, Jaime Silva terá afirmado estar “disponível para estudar a proposta no sentido da revogação da legislação”.
A pressão dos restaurantes é contestada pelos produtores de azeite. Segundo Aníbal Martins, da Federação de Cooperativas de Azeite de Portugal (Fenazeite), “não há qualquer justificação para a campanha” da ARESP. Segundo acrescenta este dirigente, os preços no produtor “têm tendência para baixar”.
Na questão dos galheteiros, os representantes dos restaurantes contestam os custos das embalagens, por falta de competição, e a circunstância de Portugal ser o “único País” com este tipo de legislação. Entre 2005 e 2008, afirma a associação, o preço de litro de azeite já aumentou 255%.
A agricultura tem a tutela do tema, mas do turismo também chegam críticas. O peso económico e político do sector da restauração é enorme: nove em cada dez empresas turísticas, ou mais de 80 mil estabelecimentos; 300 mil trabalhadores, ou três em cada quatro trabalhadores desta área; 6 mil milhões de euros anuais em volume de negócios.
Os restaurantes contestam as embalagens de azeite invioláveis sobretudo devido aos custos, mas também usam argumentos ambientais. “Insurgimo-nos contra a especulação que foi feita”, explicou José Manuel Esteves, referindo-se ao preço das embalagens, que segundo o secretário-geral da ARESP são controladas por um número limitado de empresas. Em termos gastronómicos, houve retrocesso, diz a associação, pois antes da decisão de proibir os galheteiros muitos restaurantes tinham carta de azeite e disponibilizavam oferta também neste tempero.
A Fenazeite contesta todos estes argumentos e o presidente da federação de cooperativas de produtores disse ao DN que “a qualidade dos azeites nos restaurantes aumentou de forma considerável”. Segundo Aníbal Martins, os preços no produtor não aumentaram na proporção reclamada pela restauração. “Só há uma explicação: antigamente não usavam azeite”.
Segundo o representante dos produtores, a medida está a ser estudada em Espanha e Itália, e as embalagens de 250 mililitros existem em diversidade no mercado português, pois “todas as cooperativas têm a embalagem”. Na opinião de Aníbal Martins, “neste momento existe uma variedade de marcas que antes não existia”. A expectativa de um ano de grande produção tem provocado uma “queda nos preços”.
Fonte: Diário de Notícias
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