O primeiro Barómetro da Associação da Restauração e Similares e Portugal revela que os preços na restauração subiram mais do que os da alimentação, entre 2005 e 2006, o que preocupa o presidente da ARESP.
“Fiquei surpreendido com os preços da restauração durante o ano de 2006, que subiram muito abaixo do valor das matérias-primas adquiridas para o sector”, afirmou Mário Pereira Gonçalves, à margem da apresentação pública do primeiro número do Barómetro do sector da restauração e bebidas.
Esta situação, diz Pereira Gonçalves, “é mau para a exploração dos estabelecimentos”.
O barómetro da ARESP terá periodicidade bimestral e será a primeira publicação a recolher, tratar e analisar os principais indicadores estatísticos e económicos do sector da restauração e bebidas em Portugal, sendo que o primeiro número oficial sai em Janeiro.
O número zero desta publicação, hoje apresentado, revelou entre outros dados que a variação dos preços oferecidos pela restauração entre 2005 e 2006 foi menor que a variação, para os mesmo anos, dos preços dos produtos alimentares que a restauração adquire.
De acordo com o barómetro, entre 2005 e 2006 os preços da alimentação consumida fora de casa variou 1,7 por cento enquanto os preços dos produtos alimentares que o sector da restauração adquire sentiu um crescimento de 4,5 por cento.
“Isso é bom para o público, porque os preços no sector da restauração e bebidas estão baixos, mas é mau para a exploração dos estabelecimentos. Isso só acontece por causa do período de crise que se vive em Portugal mas também porque há hoje um número muito elevado de restaurantes a mais”, defendeu o presidente da ARESP.
De acordo com o responsável, em 30 anos o número de estabelecimentos de restauração e bebidas triplicou passando de 30 mil para os actuais 90 mil.
“O que quer dizer, por exemplo, que em relação à Europa, enquanto há em média, um estabelecimento para 450 cidadãos, em Portugal temos um para 90”, adiantou Pereira Gonçalves.
Os dados do primeiro número do barómetro foram apresentados pelo coordenador do gabinete de estudos da ARESP e presidente do Centro de Estudos de Turismo da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, José Santos Silva, que explicou aos jornalistas que este “é um instrumento criado para divulgar informação estatística para o sector da restauração”.
“É um sector que pela sua dimensão na economia nacional e pela sua especificidade, onde existem empresas familiares a par de grandes empresas, justifica um conhecimento aprofundado porque para todos estes ramos é preciso informação estatística actualizada”, defendeu.
O número zero traz dados estruturais, quer ao nível nacional quer também em Espanha ou ao nível da união europeia, sobre o número de empresas que operam no sector, o nível de emprego, os consumos por parte das famílias, o franchising ou a evolução da procura e dos preços.
Santos Silva revelou ainda que brevemente a ARESP irá constituir um Monitor Restaurante que cobrirá todo o território nacional revelando mensalmente os índices e os rácios da gestão da actividade empresarial de restauração e bebidas.
Fonte: Agroportal
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