O governo britânico emitiu um comunicado no qual esclarece que os riscos de ingerir carne infectada com tuberculose bovina são «muito baixos». As autoridades reagiram assim às acusações da associação Badger Trust, que afirmou que cerca de três mil animais infectados entraram na cadeia alimentar, no ano passado.
A Badger Trust é uma associação de protecção dos texugos, animais que têm sido vítimas de uma política de saneamento do governo do Reino Unido, que opta pelo abate dos animais para impedir que estes contagiem outros animais com doenças de que são portadores. A associação contesta os métodos e recorreu ao exemplo da tuberculose bovina para provar que as medidas governamentais não são as mais indicadas.
A Badger Trust elaborou um estudo no qual concluiu que os actuais testes à tuberculose bovina não funcionam e falharam na identificação de uma «reserva escondida» da doença. Em resposta, as autoridades britânicas disseram estar satisfeitas com as práticas de inspecção da carne correntes.
Para Trevor Lawson, da Badger Trust, «é perverso que o governo tenha passado a última década a matar texugos no interesse da protecção da saúde pública, enquanto ignora as suas próprias provas chocantes da probabilidade de tuberculose presente em alimentos para humanos», cita a BBC.
As autoridades do Reino Unido afirmaram, em comunicado, que os testes à tuberculose bovina são efectuados não apenas em animais vivos, mas também em carcaças depois do abate. «Quando uma carcaça mostra sinais de tuberculose localizada, as lesões são recortadas e o resto da carcaça passa como adequada ao consumo humano».
Mas Lawson não vê a coerência destes procedimentos. «O próprio governo, ao sugerir que um abate de texugos pode ser necessário para controlar a tuberculose, usa o argumento de que uma das justificações é para proteger a saúde humana». Mas «não pode ter as duas soluções, ao dizer que mata texugos para proteger a saúde humana, mas depois diz não existir riscos [através do consumo de carne contaminada]».
O relatório da Badger Trust mostra que os testes à tuberculose não estão a funcionar e a doença nunca é efectivamente removida da carne que chega ao consumo humano. A associação pretende, por isso, consciencializar os produtores para esta realidade e sensibilizá-los para as limitações dos testes aplicados.
Fonte: BBC e Confragi
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