Rações para animais estão mais caras 35%

Se nada for feito, os produtores de rações e de animais não aguentam até Junho. Esta é a conclusão do secretário-geral da associação das indústrias de alimentos para animais quando confrontado com a nova escalada mundial dos preços dos bens alimentares.

Os preços mundiais dos alimentos alcançaram um novo recorde histórico em Janeiro, subindo 3,4% face a Dezembro de 2010, de acordo com o último relatório da FAO. Segundo este organismo das Nações Unidas, trata-se do nível mais alto desde que iniciou estes relatórios, em 1990, referindo que os preços de todos os produtos básicos registaram fortes subidas em Janeiro, excepto o da carne, que se manteve inalterado.

Em Portugal, esta variação notou-se de imediato nas matérias-primas (cereais) para as rações dos animais, que têm um peso de 52% no custo desses produtos, que, por sua vez, representam 60% no custo da produção animal. Assim, entre Julho de 2010 e Fevereiro a tonelada de trigo subiu de 155 para 270 euros e de a soja de 375 para 485 euros. Já as rações tiveram uma variação de 30 a 35%. Por exemplo, para o porco, o valor passou de 361 euros, em Julho de 2010, para 406 euros em Janeiro deste ano.

Os dados são da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais e segundo o secretário-geral, Jaime Piçarra, “a situação está a ficar insustentável: sobem os custos, mas tal não se reflecte nos preços da carne”. E frisa: “Se nada for feito a nível europeu, a indústria não aguenta até Junho”. Jaime Piçarra adianta, no entanto, que já começaram a surgir algumas medidas, como o apoio à armazenagem, que permite retirar nos matadouros carne de porco para posterior exportação, mas a associação continua “a defender que os direitos de importação de cereais seja zero”. Sem medidas, admite: “Entramos em colapso. Não é possível sustentar mais os custos”.

Do outro lado estão o produtores de cereais, neste caso, a Associação Portuguesa de Milho e Sorgo, com o presidente, Luís Vasconcellos e Souza, a dizer que “era expectável esta subida de preços, uma vez que estiveram muito baixos no ano anterior, 2009 e 2010, de tal forma que as pessoas não semearam”. Por essa razão, defende que existam “mecanismos de regulação para os produtos alimentares, caso contrário, os preços vão subir ainda mais, até uma situação insustentável”.

Já para os comerciantes de carne, Jacinto Bento, presidente da associação sectorial, “é impossível subir os preços, não há compradores, só no ano passado fecharam 126 talhos em Lisboa”.

O presidente da Federação das Indústrias Agro-Alimentares, Pedro Queiroz, defende que “os custos de produção devem ser repercutidos ao longo de toda a fileira, ou deixa de ser sustentável”.

Um dos produtos sujeitos às variações dos preços é o leite. De acordo com a FAO, o índice de preços dos produtos lácteos subiu 6,2% desde Dezembro. Pedro Pimentel, da Associação dos Industriais de Lacticínios, lembra que os preços não têm subido para o consumidor. Neste caso, revela: “Sofremos a pressão da distribuição para não aumentar preços, e dos produtores que querem vender mais caro”. Defende que “o preço do produto tem que subir, sob pena de se viverem situações muito difíceis já este ano. Não o desaparecimento do leite, mas parte dele”.

É uma situação confirmada pela Fenalac (produtores de leite), ao salientar que a viabilidade do sector passa “pela sensibilização da grande distribuição, na medida em que da sua postura depende o futuro de todos os operadores a montante”.

O relatório da FAO fez soar as campainhas e o Ministério da Agricultura aprovou ontem o reforço de 50 milhões de euros da linha de crédito com juros bonificados para empresas do sector agrícola e pecuário. A Comissão Europeia anunciou que quer limitar a especulação sobre as matérias-primas agrícolas. Uma das soluções passa pela imposição de limites às posições que um banco pode ter numa matéria-prima.

Variações
Cereais: Os preços em Janeiro subiram 3% face a Dezembro de 2010 e, de acordo com a FAO, atingiram o valor mais alto desde Julho de 2008.
Azeites: Os preços subiram de 5,6% em Janeiro face a Dezembro, ultrapassando o recorde de Junho de 2008.
Açúcar: Este produto manteve os preços elevados, reflectindo a diminuição da oferta registada.
Carne: A descida na Europa, dado o escândalo das contaminações de carnes, foi compensada com o aumento dos preços das exportações do Brasil e EUA.

Fonte: Anil

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