A raça bovina mirandesa vai acrescentar à conhecida “posta” uma nova fileira de produtos gastronómicos no âmbito de um projecto para aumentar o rendimento dos produtores e conquistar mercados estrangeiros, anunciou hoje fonte do sector.
A Cooperativa Agro Pecuária Mirandesa, responsável pela produção da raça certificada há quase uma década pela União Europeia, vai investir mais de 1,7 milhões de euros num complexo industrial com novas valências para tirar mais proveito do potencial da raça com solar no Nordeste Transmontano.
O complexo deverá começar a laborar dentro de um ano e meio, em Vimioso, um dos seis concelhos do solar da raça, e condições de transformação, comercialização e promoção da carne até agora inexistentes na região.
A principal novidade, segundo Fernando de Sousa, técnico da cooperativa, será uma nova fileira de produtos com destaque para os pré-cozinhados, fumados e enchidos.
O desfio da cooperativa é aumentar o rendimento dos mais de 700 produtores da raça mirandesa, que comercializam anualmente 2500 carcaças, o equivalente a mais de 300 toneladas de carne e a um volume de negócios superior a dois milhões de euros.
Na opinião de Fernando de Sousa, este rendimento pode ser superior, pois actualmente mais de metade da carcaça não é valorizada, por não ter um fim específico como o da parte destinada a um dos expoentes da gastronomia transmontana: a posta à mirandesa.
A cooperativa encontrou um destino para a restante carne, apostando em novos produtos, que deverão chegar ao mercado dentro de um ano e meio, data prevista para o início da laboração do complexo, financiado pela União Europeia, Câmara Municipal de Vimioso e por capitais próprios dos produtores.
A nova unidade, que vai criar 21 novos postos, estará equipada com uma cozinha industrial, condições de armazenamento, conservação e comercialização, e disporá de um espaço interactivo para o público com exposição, museu e degustação.
Terá ainda gabinetes de controlo da qualidade e condições para o embalamento dos produtos, permitindo à cooperativa ultrapassar uma dificuldade actual que tem impedido a expansão do mercado além fronteiras.
Segundo o técnico Fernando de Sousa, algumas experiências de exportação, nomeadamente para a França e Luxemburgo, não têm tido os melhores resultados por problemas no embalamento que não permitem a chegada da carne ao cliente nas melhores condições.
A nova unidade, que ficará localizada na zona industrial de Vimioso, reunirá as condições para uma nova estratégia de exportação, a pensar sobretudo nos mercados estrangeiros onde residem emigrantes portugueses.
José Abílio é produtor da raça Mirandesa e está convencido de que “vale a pena” apostar neste projecto, por acreditar ser possível tirar mais rendimento da carne, que não tem tido problemas de escoamento.
Mesmo com as dificuldades que o sector da carne bovina tem enfrentado, nomeadamente a crise das vacas loucas, a raça Mirandesa, que se encontrava em vias de extinção, tem registado um aumento na produção e no rendimento, na última década.
Embora o número de produtores esteja reduzido a metade, cerca de 700, as explorações passaram de 31 em 1996 para 123 actualmente e o efectivo sofreu um aumento superior a mil animais, rondando os 5300.
O nascimento de vitelos também tem aumento e para o técnico da cooperativa, Fernando de Sousa, “o mérito desta evolução é da denominação de origem”, o certificado de qualidade atribuído pela União Europeia, que tem impulsionado a recuperação da raça autóctone do Distrito de Bragança.
Segundo dados da cooperativa, a “marca” Mirandesa é a menção mais susceptível de crimes de contrafacção ou publicidade enganosa, nomeadamente no sector da restauração, o que constituiu uma preocupação para os produtores, mas simultaneamente um indicador do seu estatuto.
O reconhecimento da raça Mirandesa tem permitido aos produtores receberem subsídios de Bruxelas, que, em 2004, ultrapassaram os 3,5 milhões de euros.
Fonte: Agroportal
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