O presidente da Câmara de Fornos de Algodres solicitou apoios do Governo para incentivar a produção e a comercialização do queijo da serra da Estrela, que foi objecto de mais uma feira anual. José Miranda disse que no seu concelho existem cerca de 300 produtores de queijo, a maioria idosos, que neste momento têm dificuldades na sua comercialização, daí que defenda ajudas específicas para o sector.
“O Governo devia criar fundos para a comercialização e para incentivar os jovens”, defende o autarca de Fornos de Algodres. “Um jovem é capaz de se lançar numa actividade destas, mas tem que ter incentivos”, admitiu, acrescentando que “os fundos comunitários deviam prever uma acção que permitisse aos produtores apresentarem candidaturas, através de uma associação, para melhorar a sua produção e para que criassem uma estrutura de comercialização”.
“A câmara ajuda naquilo que pode, mas há dificuldades na comercialização”, salientou, sublinhando que, se nada for feito, “caminhamos a breve prazo para o desaparecimento desta actividade”. Para o autarca, o problema do escoamento do queijo seria facilmente ultrapassado “se os produtores estivessem organizados em termos comerciais”. Segundo José Miranda, os cerca de 300 produtores do concelho, que foram convidados a estar presentes, tendo como incentivo “um prémio de presença de 50 euros”, refere a notícia do JN.
Apesar de na área do município existirem cerca de 300 produtores, só 160 possuem rebanhos com mais de vinte ovelhas. Dos 160, apenas 100 têm as queijarias licenciadas “graças ao trabalho do Gabinete de Apoio à Ovinicultura da câmara municipal”, recorda o autarca. A área geográfica de produção do queijo da serra da Estrela – fabricado unicamente com queijo de ovelha – abrange os concelhos de Fornos de Algodres, Carregal do Sal, Celorico da Beira, Gouveia, Mangualde, Manteigas, Nelas, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo e Seia e algumas freguesias dos concelhos de Aguiar da Beira, Arganil, Covilhã, Guarda, Tábua, Tondela, Trancoso e Viseu.
Certificação de queijo não atrai produtores
O aumento dos custos de produção, a concorrência espanhola, o desinteresse pela pastorícia e a falta de apoios estão a levar à falência os pequenos e médios produtores do genuíno queijo da Serra da Estrela. Também a certificação do queijo serra da Estrela, um dos melhores de Portugal, “não é atractiva” para os produtores. José Miranda adianta que “o preço pago por um queijo certificado não compensa o nível de exigências pedidas ao produtor”, pelo que estes abdicam normalmente do selo e optam por vender um produto apenas legalizado em termos higiénico-sanitários numa queijaria licenciada.
“É quase ao mesmo preço”, constata o edil, lembrando que em Fornos há apenas três queijarias certificadas num total de 65 licenciadas. “Este procedimento tem que ser repensado e agilizado, sob pena de, qualquer dia, só ouvirmos falar do queijo da serra como uma lembrança”, avisa.
“Chegámos à conclusão de que não compensava e desistimos. O queijo não certificado só custa menos dois euros – o selo da Casa da Moeda – que na realidade são pagos pelo consumidor”, refere um produtor, salientando que a “qualidade do queijo é precisamente a mesma”. As exigências impostas pela União Europeia e a constante fiscalização são outros motivos que levam o produtor a desistir da certificação do produto. “Temos a queijaria licenciada, respeitamos as regras de higiene e o nosso queijo é de qualidade, pelo que não vejo necessidade de certificar o produto. Não ganhamos nada com isso e o consumidor é que fica prejudicado porque vai pagar mais”, adianta outra produtora de Vila Soeiro do Chão.
Fonte: Anil
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