O Partido Socialista (PS) apresenta, esta semana, na Assembleia da República um projecto de leite para reduzir o teor de sal no pão e uma resolução em que recomenda ao Governo a distribuição de frutas e legumes nas escolas.
Os nutricionistas e médicos especialistas em nutrição estão satisfeitos com esta promoção da alimentação saudável, mas todos defendem que se poderia ir mais longe, nomeadamente regulando áreas como a publicidade a alimentos dirigida a crianças e jovens, um tema sobre o qual o deputado socialista Jorge Almeida, médico e um dos autores dos dois projectos em questão, adiantou que esta será a próxima iniciativa a avançar.
O Partido Ecologista Os Verdes (PEV) também apresentou, há mais de dois anos, uma proposta de alteração ao Código da Publicidade, com o mesmo objectivo, que «está a marinar na Comissão Parlamentar de Saúde», reconhece o deputado Jorge Almeida.
A médica Isabel do Carmo defende que «fazer uma lei que proíba a publicidade a alimentos hiper calóricos nos programas infanto-juvenis é prioritário», e lembra os dois estudos da associação para a defesa do consumidor Deco que concluíram que «mais de 90 por cento» deste anúncios são de produtos com calorias a mais.
Isabel do Carmo diz «que está mas mãos do PS» terminar com esta situação, para além de considerar que é ainda urgente regular os alimentos vendidos nos bares das escolas, adiantando a médica que apesar das recomendações do Ministério da Educação sobre esta matéria, há estabelecimentos de ensino que as seguem mas outros não, uma reclamação também feita pelo presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, Galvão Teles.
João Breda, coordenador da Plataforma de Luta contra a Obesidade, tem a mesma opinião acerca da regulação da publicidade e sublinha que «deve existir, quando a auto-regulação não funciona», acrescentando que gosta ria que fosse também operacionalizada a redução de ácido gordos.
O projecto lei que na próxima sexta-feira vai ser apreciado na generalidade estipula que o teor máximo de sal no pão passe a ser de 1,4 gramas por cada 100 gramas de pão e prevê coimas que variam entre os 500 e os cinco mil euros, definindo ainda orientações para a rotulagem de alimentos pré-embalados.
A segunda iniciativa diz respeito a um projecto de resolução que recomenda ao Governo a adesão ao programa comunitário de distribuição de frutas e legumes nas escolas, já aprovado em 2008, e a preparação de um plano nacional de promoção do consumo de frutas e hortícolas.
Os socialistas vão também propor ao Executivo que estude a hipótese de proibir a venda de alimentos hipersalinos e hipercatólicos nas escolas, duas iniciativas que merecem todo o mérito, até porque constituem dois dos erros da alimentação dos portugueses, diz a presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, Alexandra Bento.
De acordo com Alexandra Bento, em Portugal consome-se o dobro do sal recomendado pela Organização Mundial de Saúde, cita o Público.
Fonte: Público e Confagri
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