Protesto Alerta para “Ameaça” do Milho Geneticamente Modificado

Agricultores e ambientalistas manifestaram-se ontem em Lisboa contra o cultivo de milho modificado geneticamente, que consideram uma ameaça à agricultura tradicional e à saúde dos consumidores.

Num protesto seguido atentamente pelos pombos, no Terreiro do Paço, agricultores de vários pontos do país “semearam” milho não transgénico pela praça e ofereceram a quem passava vinho e broa feita com “a última colheita portuguesa de milho não contaminado”.

A Plataforma Transgénicos fora do Prato inclui várias associações ambientalistas como a Quercus, Geota e Liga para a Protecção da Natureza.

Os promotores da manifestação querem que o governo aplique “uma moratória ao cultivo de transgénicos em Portugal”, acusando a regulamentação actual (que prevê a coexistência entre milho modificado e milho natural com uma distância de segurança) de ter sido “feita à pressa” e sem condições para controlar a coexistência.

Apesar de instalados em frente ao Ministério da Agricultura, os cerca de 20 manifestantes limitaram-se ontem a “chamar a atenção da opinião pública” para o milho transgénico, como disse à Lusa o agricultor João Vieira, do Cadaval.

“Uma espiga (de milho transgénico) é uma arma na mão das multinacionais que pode ser usada contra os povos”, afirmou.

João Vieira explicou que o milho transgénico é modificado geneticamente “para se poder usar mais herbicidas”, além de que as sementes transgénicas são “patenteadas” e o seu uso é pago.

“É um problema de gravíssimas consequências ao nível dos agricultores e dos consumidores”, argumentou.

Para os agricultores, enquanto um quilo de milho natural custa “25 cêntimos”, um quilo de milho transgénico custa “7,5 euros”, devido às patentes, que “inviabilizam as sementes autóctones tradicionais”.

O ambientalista e agricultor algarvio Jacinto Rosa Vieira disse à Lusa que o cultivo de transgénicos “é um jogo muito perigoso”.

Para Jacinto Rosa Viera, as distâncias entre culturas definidas na regulamentação portuguesa “não resolvem” os perigos de contaminação de culturas biológicas por sementes transgénicas.

Além disso, os genes modificados no milho transgénico “são eternos” e combinam-se com os solos em que são usados.

O agricultor afirmou que há estudos, inclusivamente das multinacionais que fabricam os organismos geneticamente modificados, que atestam “efeitos cancerígenos e atrofia de órgãos internos” nos consumidores.

Jacinto Rosa Vieira afirmou que as maiores pressões para o desenvolvimento de culturas transgénicos vêm dos Estados Unidos e da Organização Mundial do Comércio, que “põe a economia antes da saúde”.

Por seu lado, João Vieira avisou que “uma vez o caminho aberto” com o milho, os métodos transgénicos “passarão a outras culturas.

O ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas enviou um comunicado em que relembra a regulamentação sobre cultivo de transgénicos em vigor, que recomenda distâncias de 200 a 300 metros entre culturas e a criação de um fundo de compensação para agricultores que vejam os seus campos contaminados com variedades geneticamente modificadas.

Fonte: Lusa

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