O ritmo da vida moderna faz com que cada vez mais pessoas comam fora de casa, o que implica consequências para a saúde e alterações no consumo, que são estudadas pelo projecto europeu HECTOR, hoje reunido no Porto.
«Na maior parte dos países europeus, as pessoas saem de casa de manhã e apenas regressam à noite, o que implica que tenham que fazer, pelo menos, uma refeição por dia fora de casa», salientou à Lusa Maria Daniel Vaz de Almeida, que coordena este projecto em Portugal.
Segundo esta especialista da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), única entidade portuguesa envolvida no projecto, o HECTOR pretende «descobrir o que faz com que as pessoas comam fora de casa e qual a qualidade do que comem, permitindo saber como intervir para que essa alimentação seja mais saudável».
As estatísticas oficiais referem que, em Portugal, as despesas com refeições fora de casa representam actualmente cerca de um quinto do total das despesas familiares com alimentação.
O peso destas despesas no orçamento das famílias portuguesas duplicou nos últimos 10 anos, o que indicia um aumento substancial do número de refeições efectuadas fora de casa.
«Este é um sector muito importante para a saúde das pessoas, mas também para o consumo«, frisou Maria Daniel Vaz de Almeida, em declarações à margem da reunião do projecto HECTOR, que decorre até sexta-feira no Porto, numa organização da FCNAUP.
Nos parâmetros da vida moderna, comer fora de casa deixou de ser um acto reservado a ocasiões especiais, sendo cada vez maior o número de pessoas que o faz com frequência, seja numa refeição rápida, na cantina de uma escola ou num restaurante formal.
Para acompanhar esta mudança de hábitos, surgiu uma enorme variedade de alimentos para satisfazer as necessidades de quem precisa de comer diariamente fora de casa, o que está a originar crescentes preocupações entre os especialistas sobre o papel que uma má dieta alimentar desempenha no aparecimento de algumas doenças.
«Uma das nossas maiores preocupações está relacionada com o facto de muitas vezes se ingerir comida energeticamente muito densa, o que pode contribuir, por exemplo, para problemas de excesso de peso», salientou a coordenadora do projecto HECTOR em Portugal.
Por outro lado, Maria Daniel Vaz de Almeida denunciou «o consumo excessivo de alimentos fritos e o fraco consumo de fruta e produtos hortícolas».
Para inverter este quadro, o projecto HECTOR, que começou em Julho de 2006 e vai decorrer até Julho de 2009, pretende apresentar «algumas recomendações, baseadas em dados reais, que permitam melhorar a qualidade da alimentação fora de casa».
Segundo a especialista, essas recomendações serão dirigidas às pessoas e também às empresas dos sectores alimentar e hoteleiro.
O projecto HECTOR – Eating Out: Habits, Determinants and Recommendations for Consumers and the European Catering Sector envolve 34 entidades de cerca de duas dezenas de países europeus tendo em vista o estudo dos hábitos alimentares dos europeus fora de casa, dispondo de um financiamento de 1,17 milhões de euros da União Europeia.
Fonte: Diário Digital
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