Produtores de tomate não receiam desligamento total das ajudas

Os produtores portugueses de tomate «não têm medo» do desligamento total das ajudas, «na condição de ser assim em todos os Estados-membros» da União Europeia, disse à agência Lusa o vice-director da Associação Nacional das Organizações de Produtores (ANOP).

Gonçalo Escudeiro, responsável pela área do tomate no seio da associação, que representa 80 por cento da produção nacional deste produto, disse à Lusa que o facto de Portugal ter, a este nível, os agricultores mais produtivos da Europa, faz com que a proposta da Comissão Europeia seja encarada sem receios, sempre na condição de que seja assim em todos os Estados-membros.

«De futuro só irá produzir quem for produtivo. Fruto da evolução dos últimos 10 anos, temos os agricultores mais produtivos da Europa», disse, realçando ainda a qualidade do tomate português, devido a condições naturais «muito adaptadas», pelos solos férteis, excelência da água e clima.

Por outro lado, a mecanização total do processo permitiu um incremento da dimensão das explorações, sendo Portugal o país europeu que apresenta actualmente maior superfície por agricultor, disse.

Segundo Gonçalo Escudeiro, de 5.000 agricultores em 1996, restam cerca de 600, tendo a produção média subido de 60 para 80 toneladas por hectare, o que revela o «esforço enorme» de selecção feito nos últimos anos.

Para o responsável da ANOP, é preferível o desligamento total quando o mercado está em alta, como acontece actualmente, permitindo que os agricultores que não são competitivos possam contar com ajudas para se desendividarem e reconverterem a actividade.

«Os que são competitivos querem continuar a produzir», disse, descartando a possibilidade de o desligamento das ajudas ir pôr em causa a produção de tomate para a indústria. No seu entender, qualquer regime transitório, por um período de dois anos, como tem vindo a ser proposto, «pode ser extremamente penalizador para Portugal».

«Preferimos o desligamento total, agora, quando o mercado está em alta, porque, havendo um período de transição, o mercado vai defender-se baixando o preço», o que tornará mais difícil a sobrevivência dos que quiserem continuar a produzir, frisou.

A ANOP tem vindo a participar nas reuniões com o Ministério da Agricultura, no âmbito da reforma da Organização Comum dos Mercados dos produtos hortícolas e frutícolas.

Perante a proposta de Bruxelas de desligamento total das ajudas, as indústrias transformadoras manifestaram publicamente receio quanto ao futuro da produção em Portugal.

A Associação dos Industriais do Tomate (AIT) defende que, com o desligamento total das ajudas da produção, os agricultores vão preferir deixar de cultivar e continuar a receber os apoios, deixando as fábricas de ter matéria-prima para laborar, o que implicaria o seu desaparecimento.

A indústria de transformação de tomate, uma das mais eficientes a nível mundial e mais competitivas de Portugal, representa uma facturação de 140 milhões de euros, com as exportações a atingirem 93 por cento do total, e é responsável por 5.500 postos de trabalho.

A 21 de Maio, quando estava na Alemanha, a participar num conselho informal de ministros da Agricultura, o responsável governamental pelo sector, Jaime Silva afirmou à agência Lusa que espera conseguir “o desligamento parcial” para as ajudas à produção de tomate até final de Junho, uma situação que responde aos pedidos da indústria nacional.

Mas, a reforma da OCM dos hortícolas e frutícolas poderá passar para a presidência portuguesa da UE, se o processo não for concluído até ao final de Junho.

A ANOP, que segunda-feira aprovou em assembleia-geral a sua passagem a federação, conta com cerca de 40 organizações de produtores associadas. Dessas, 21 são de produtores de tomate, o que representa 80 por cento da produção nacional e cerca de 93 por cento das quantidades contratadas do limiar nacional.

A UE estabeleceu um limiar de transformação global da ordem das 8,2 milhões de toneladas, sendo o limiar nacional de 1.050.000 toneladas, contando com uma ajuda de 34,5 euros/tonelada.

Portugal é o sexto maior produtor mundial de tomate e o segundo no ranking da maior industrialização do sector, exportando a indústria cerca de 93 por cento da produção nacional, essencialmente para a UE, Japão e Médio Oriente. A campanha de comercialização de tomate destinado à indústria inicia-se a 25 de Julho.

Fonte: Confragi

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