A Associação de Produtores de Leite do Planalto Mirandês manifestou hoje receio de que as novas regras de licenciamento das explorações levem muitos agricultores a abandonarem a principal actividade económica desta zona do Nordeste Transmontano.
“Já estamos com pouca capacidade para assegurar as quotas de produção, se nos apertarem muitos produtores vão fechar as portas”, disse à Lusa Higino Ribeiro, presidente da associação que representa 70 por cento dos produtores de leite da região, com 120 associados.
Aquela organização promove, sábado, um debate sobre “o futuro do leite no Planalto Mirandês”, que os responsáveis pelo sector dizem estar a enfrentar um situação de “decadência”, devido ao aumento dos custos de produção e à estagnação do preço do leite pago aos produtores.
Segundo o presidente da associação, embora a produção de leite seja a principal actividade desta zona, as explorações pecuárias são de base familiar, sem capacidade para competir com produtores mais capitalizados e de maior dimensão.
As novas regras de licenciamento, que deverão entrar em breve em vigor, vão obrigar os produtores a adaptarem as suas explorações e a investimentos que constituirão “mais uma agravante”, na opinião de Higino Ribeiro.
O dirigente admite que melhores condições nas explorações são benéficas para a produção, mas considera que “os produtores não têm condições para acarretarem com mais custos”.
Segundo disse, não é intenção da associação “pedir nada”, referindo-se a eventuais apoios do Governo, mas discutir com os produtores aquilo com que podem contar.
Mesmo sendo cada vez menos rentável, esta actividade ainda se mantém como a base de sobrevivência de muitas famílias, que não têm outra alternativa de emprego ou de rendimentos na região.
Do Planalto Mirandês saem mais de 150 mil litros de leite por dia, recolhidos por uma empresa portuguesa e três espanholas a preços que rondam os 30 cêntimos por litro.
A União Europeia dá aos produtores um subsídio por litro actualmente de dois cêntimos, que será do dobro em 2007.
Este montante visa compensar as perdas com os custos de produção, mas segundo o presidente da associação, a estagnação do preço do leite nos últimos anos elimina o efeito do apoio.
As quotas de produção impostas por Bruxelas constituem outra preocupação para o dirigente, que defende uma espécie de regionalização das mesmas para evitar o que está a acontecer no Planalto Mirandês.
Segundo disse, produtores mais capitalizados e de maior dimensão de outras zonas do país, nomeadamente do Minho, estão a aproveitar-se da debilidade económica para adquirirem as quotas aos produtores locais, que acabam por vender devido às dificuldades que enfrentam.
A produção de leite no Planalto Mirandês é assegurada pela raça bovina frísia, que vai estar em destaque também durante o fim-de-semana, com um concurso e atribuição de prémios, no Domingo, aos melhores exemplares dos cerca de 13 mil animais existentes na região.
Fonte: Lusa
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