O Agrupamento de Produtores de Bovinos de Raça Brava, fundado em Maio deste ano, pediu a certificação da carne destes animais junto do Ministério da Agricultura, pretendendo também a classificação de produto com denominação de origem protegida.
O objectivo é dar à carne brava um lugar nas preferências gastronómicas dos portugueses, adiantou a engenheira agrária Fernanda Dias, que tem coordenado o processo. «pedimos a qualificação para o produto “Carne de Bravo do Ribatejo”, para o qual solicitamos também o registo como denominação de origem».
A iniciativa desta associação pretende promover a carne brava e, para isso, existe já uma imagem comercial registada. «Estamos a começar pela abordagem da restauração, procurando implementar novas receitas e divulgar as peças menos valorizadas destes animais (…) para posteriormente tentarmos a sua comercialização nas grandes superfícies», cita o Expresso.
Fernanda Dias reconhece, contudo, a dificuldade da tarefa adiante: mudar os hábitos de consumo não é desafio leve, porque a carne brava tem sido mal vista devido às condições de abate.
«Quando um toiro é lidado numa corrida, o período que decorre até à sua morte no matadouro ultrapassa actualmente as 24 horas, o que tem consequências óbvias no aspecto e qualidade final da carne. Mais negras, menos tenras, as peças valem menos e, de facto, o mercado para a sua colocação é muito restrito», explica a responsável.
Por isso, o agrupamento pretende alterar as regras de abate e de comércio actuais, defendendo a morte dos animais de raça brava logo a seguir à sua lide, evitando sofrimento adicional e contribuindo para a melhoria da comercialização da carne aproveitada.
Fonte: Expresso e Confragi
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